Fernanda Montenegro comemora 91 anos: conheça 8 peças em que a artista trabalhou

‘A Moratória’, ‘É…’ e ‘Viver sem Tempos Mortos’ estão na lista

Fernanda Montenegro comemora 91 anos: conheça 8 peças em que a artista trabalhou

Por: Nicole Defillo

 

Fernanda Montenegro, nome artístico de Arlette Pinheiro Monteiro Torres, é considerada uma das melhores atrizes brasileiras. Atualmente, os grandes críticos da sétima arte referenciam-na como “a grande dama do cinema e da dramaturgia do Brasil”. Ela também fez história ao ser a primeira profissional do ramo na América Latina e a única brasileira já indicada ao Oscar de Melhor Atriz.

 

Hoje, 16 de outubro, essa artista tão importante para o cenário da dramaturgia nacional, completa 91 anos de vida. E, para comemorar essa data, nós elaboramos uma lista com 8 peças nas quais ela trabalhou durante sua carreira.

 

Confira: 



Alegres Canções nas Montanhas (1950)

Espetáculo de autoria do dramaturgo francês Julien Luchaire, é considerado como o primeiro trabalho profissional da atriz, que recebeu diversos elogios da crítica e começou a estabelecer uma relação de cooperação com o colega e marido Fernando Torres. O elenco da peça era composto por atrizes, como Nicette Bruno e Beatriz Segall.

 

A Moratória (1955)


A peça de Jorge Andrade e dirigida por Gianni Ratto, ganhou o primeiro Prêmio Saatchi direcionado para a atriz, sendo esse o mais importante prêmio do Teatro Nacional da época. O espetáculo foi montado enquanto Fernanda ainda fazia parte da Companhia Maria Della Costa, atuando ao lado de nomes como Monah Delacy e Sérgio Britto.

 

O Beijo no Asfalto (1961)


Nesta peça, a atriz precisou insistir por meses para que o autor, Nelson Rodrigues, lhe entregasse um texto inédito. E, ainda bem que ele o fez! Ao fim de oito meses, Nelson Rodrigues entregou a Fernanda “O Beijo no Asfalto”, considerada ainda hoje uma de suas melhores peças. “Eu subi no meu próprio conceito quando entreguei à Fernanda ‘O Beijo no Asfalto’, afirma Nelson.

 

É… (1977)


Escrita especialmente para o casal Torres e Montenegro, “É…” foi um sucesso por satirizar os costumes libertários e, ainda assim, retrógrados da revolução sexual e social da classe média brasileira dos anos 70. 




Apesar de ter recebido críticas negativas, esse foi um dos maiores sucessos dos dois atores, e ficou quatro anos em cartaz, sendo, nas palavras de Fernanda: “O espetáculo, para nós memorável, significa um parêntese de estabilidade nos sobressaltos de nossa sobrevivência teatral, financeira – e porque não também -, artística.”

 

As Lágrimas Amargas de Petra von Kant (1982)


A atriz escolheu a peça do alemão Fassbinder para comemorar seus 30 anos de carreira. O espetáculo recebeu um Prêmio Moilière pelo conjunto de sua obra e, pela primeira vez, foi a atriz foi a vencedora do Prêmio Mambembe, numa laureação dada pelo Governo Federal através da Funarte desde 1977. “As Lágrimas Amargas de Petra von Kant” foi um dos trabalhos mais elogiados pela crítica até aquele período.

 

Dona Doida, Um Interlúdio (1987)


“Dona Doida, Um Interlúdio” foi outro grande sucesso teatral da carreira da artista. O espetáculo consistia em uma encenação de poemas da escritora Adélia Prado, nascida em Minas Gerais em 1935.




A peça se tornou o espetáculo mais significativo da carreira da atriz, que o apresentou ao redor do mundo por 13 anos. Sob a direção de Naum Alves de Souza, o monólogo rendeu a atriz passagens de sucesso por países como Estados Unidos, Inglaterra, França, Portugal, Espanha, Argentina e México. Além disso, a obra garantiu mais um Prêmio Mambembe e deu título a uma música composta por Rita Lee, lançada em 1997, no disco Santa Rita de Sampa.

 

Viver sem Tempos Mortos (2009)


Depois de passar onze anos fora dos palcos cuidando da saúde de seu marido, Fernanda decide enfrentar o luto nos palcos ao dar voz a obra da filósofa francesa Simone de Beauvoir, sob a direção de Felipe Hirsch. Além das questões pessoais da artista, o projeto “Viver sem Tempos Mortos” tinha caráter social muito mais intenso.




O espetáculo, pensado para ser apresentado em periferias das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, quase não aconteceu, como narra Fernanda em seu livro ‘Prólogo, ato, epílogo: Memórias’ (2019): “Essa produção foi minha última atividade teatral a recorrer a tal comissão a fim de ter acesso aos incentivos fiscais previstos pela Lei Rouanet. Na época, julgaram o projeto complexo demais para temporadas populares em periferias. Penso que entenderam a proposta como um capricho histriônico.”

 

Nelson Rodrigues por ele Mesmo (2014)


Este é o trabalho mais atual da atriz, sendo que a peça está em cartaz há cinco anos em território nacional. Durante a dramaturgia, Fernanda lê poemas escritos por Nelson Rodrigues, a partir do livro homônimo lançado pela filha do dramaturgo, Sônia Rodrigues. 




O espetáculo marca o retorno de Fernanda a um dos autores que mais montou ao longo de sua carreira, tanto no teatro quanto no cinema e na televisão. No texto, a atriz encarna a figura do anjo pornográfico numa produção que só aconteceu porque sucessivos problemas de agenda impediram que outros três atores escalados para o papel o realizassem.

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