Povo Marcado pela Emoção

Turnê de Zé Ramalho com seus maiores sucessos encanta por onde passa

Zé Ramalho risca o chão com o giz da ancestralidade na Tour 2019. A turnê – que já passou por lugares como João Pessoa, Curitiba, Cuiabá e Bauru – marca o lançamento do CD e DVD “Voz & Violão – 40 Anos de Música”, que celebra as quatro décadas da bem-sucedida carreira dele.


No último dia 28 o cantor e compositor se apresentou no Espaço das Américas, depois de outro show na noite anterior, na mesma casa. Estive por lá e, ao longo de cada faixa, cheguei a uma conclusão um tanto quanto óbvia:  alguém que eterniza a figura do próprio avô-e-pai só pode, mesmo, ser universal. Ao entoar “Avôhai”, o paraibano emociona uma plateia com idades – e, certamente, vivências – diversas.


É claro que, desde o início, a sequência de hits já empolgava: a voz retumbante do nordestino puxou “O que é, o que é?”, do Gonzaguinha (já que estávamos mesmo falando dos eternos) para começar. Entre essa canção e a próxima, o cantor saudou seu público como se recitasse um poema, em vez de apenas dizer “boa noite”, agradecer pela presença e, diga-se de passagem, pela casa lotada. Emendou que, para continuar aquela viagem, embarcaríamos num “táxi pra estação lunar”.


Seguimos pelo circo místico, como ele mesmo nomeia num tom (en)cantador, ora com o dançante “Banquete dos Signos” (que tornava impossível mesmo aos mais velhos ficar parado na cadeira sem forrozear), ora com a profética “Eternas Ondas”, emblemática ao dizer que, se teu amigo vento não te procurar, é porque multidões ele foi arrastar.


A multidão diversa de Zé Ramalho seguiu com ele no Espaço das Américas a relembrar seu Avôhai, a espalhar coisas sobre o “Chão de Giz” e a constatar que “ninguém tem o mapa da alma da mulher”. Mas é preciso que se diga: a viagem tal só nos leva a outros Espaços porque a Banda Z embala esses mágicos caminhos.



Na reta final dela, outro tripulante da nave dos eternos foi evocado: as clássicas “Gita” e “Medo da Chuva” nos fizeram cantar alto os versos do saudoso Raul Seixas. A romântica “Sinônimos” faz o arremate, não sem que antes o artista consagrasse outro nordestino, Luiz Gonzaga.


Arrisco dizer que praticamente não seria necessário o microfone, mas a voz amplificada do cantor se despede dos paulistanos agradecendo pela “energia que produzimos essa noite”. Ele segue com sua Tour 2019 e aterrissa no Ginásio Caio Martins, em Niterói (RJ) no sábado (3). Certamente uma multidão caminha por onde passa esse ilustre viajante, preservando memórias e anunciando as desventuras de um povo feliz, embora marcado. Que os ancestrais o acompanhem nas andanças, universais.


Confira um dos maiores sucessos do cantor:



Por: Marcela Marcos

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