Diretores consagrados elegem os melhores filmes de 2025

A revista Variety reuniu relatos de alguns dos diretores mais influentes do cinema contemporâneo para mapear quais filmes mais os impactaram em 2025. Em depoimentos que vão além de listas ou rankings, os cineastas comentam escolhas pessoais, afinidades estéticas e obras que, segundo eles, ajudaram a definir o ano no audiovisual, oferecendo um panorama autoral sobre os destaques da temporada. Confira alguns dos destaques! — e, para acessar a lista completa, clique aqui.

Michael Mann (Fogo Contra Fogo) escolhe “Avatar: Fogo e Cinzas”

“O terceiro Avatar de Jim Cameron, ‘Fogo e Cinzas’, é uma conquista expressiva. A originalidade imponente da visualização de Jim é um dado; o que torna  ‘Fogo e Cinzas’ tão potente é sua credibilidade […] Em algum ponto no futuro, quando encarado historicamente, o todo de Avatar será visto como o magnum opus que ele realmente é.”

Taylor Hackford (Advogado do Diabo) escolhe “Blue Moon” e “Nouvelle Vague”

“A maioria dos diretores alcança um momento definidor de carreira quando cria um filme que os coloca na disputa pelo Oscar. Neste ano, Richard Linklater fez isso duas vezes. Sua deliciosa homenagem à nova onda francesa, ‘Nouvelle Vague’, foi filmada em Paris, em francês, com um orçamento irrisório. […] Mas criar uma pequena joia neste ano não foi suficiente para Richard Linklater. Ele também nos apresenta ‘Blue Moon’, um retrato lapidar do maior letrista dos Estados Unidos, Lorenz Hart. […] Ambos os filmes personificam o estilo de direção inigualável de Richard Linklater: pintar seres humanos genuínos na tela — neste caso, personagens históricos que são ao mesmo tempo palpáveis e convincentes.”

Celine Song (Vidas Passadas) escolhe “Ella McCay”

“As mulheres na tela são questionadas repetidas vezes — por executivos de estúdio, críticos e públicos — por sua sempre elusiva ‘simpatia’. Em ‘Ella McCay’, de James L. Brooks, escrito de forma impecável e dirigido com alegria, sinto, como sempre acontece com seus filmes, que ele me conhece como menina e como mulher, tanto no meu trabalho quanto na minha vida pessoal.”

Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar) escolhe “O Agente Secreto”

“Kleber [Mendonça Filho] é o que se chama de cineasta. Como Martin Scorsese ou François Truffaut, ele é uma enciclopédia ambulante de cinema. Como eles, é apaixonado por filmes — todos os filmes, suspeito. Se é um filme, Kleber já está meio apaixonado por ele. Só porque é um filme. E, como esses gigantes, Kleber carrega para o seu trabalho uma generosidade de espírito necessária a esse tipo de amor. […]
Seu novo filme, ‘O Agente Secreto’, é outro tipo de carta de amor. Pode soar estranho usar essa descrição para um thriller político criminal, mas acredito que ‘O Agente Secreto’ também seja uma carta de amor ao Brasil. Uma estranha e corajosa carta de amor às pessoas comuns, para quem a ambição de viver uma vida ordinária significa perigo, ansiedade e uma vigilância constante contra as armadilhas que as aguardam por toda parte — atrás de cada porta, em cada esquina, no trabalho, em casa e do outro lado de cada ligação telefônica. Mas ainda assim é uma carta de amor. Uma profundamente comovente, vinda de um cineasta com um amor cego pelo cinema — como o chamam em todo lugar, menos aqui — e um amor lúcido por seu país e por seu povo.”

Paul Thomas Anderson (Magnólia) escolhe “Valor Sentimental”

“Acertamos na loteria com ‘Valor Sentimental’. É como ser gentilmente agarrado pelo cineasta mais terno em atividade hoje; você não percebe que ele o tem pelo pescoço — ele está apenas criando pessoas e imagens das quais você não consegue desviar o olhar por medo de perder um único quadro. […]
Se você gosta de atuações absolutamente precisas, este é o filme para você. E, se quiser ver o verdadeiro melhor efeito especial do ano, ele é a performance de Inga Ibsdotter Lilleaas como Agnes. […]
Então agora, como qualquer superfã, quero fazer a pergunta mais irritante: ‘Quando vem o próximo?’”

Barry Jenkins (Moonlight) escolhe “A Voz de Hind Rajab”

“A diretora tunisiana Kaouther Ben Hania dirigiu longas tanto de ficção quanto documentários, e essa experiência é levada à plena sinergia na realização de seu filme ‘A Voz de Hind Rajab’. […]
Os filmes podem assumir muitas formas, e este ano não é exceção. Com este filme, Kaouther Ben Hania usou o cinema como um lamento antigo. Ela fez, de fato, tudo o que pôde para cantar sobre Hind Rajab.”

Mike White (The White Lotus) escolhe “Uma Batalha Após a Outra”

“Quando continuo ouvindo o quanto um novo filme é ótimo, geralmente fico cético — talvez seja ciúme profissional ou minha natureza contrária, ou talvez seja apenas a vontade de manter as expectativas baixas para evitar decepção. Felizmente, ‘Uma Batalha Após a Outra’ não é um filme que possa ser superestimado. […]
Arte vívida e original é um intoxicante. Depois de assistir a ‘Uma Batalha Após a Outra’, senti-me eufórico e tive dificuldade para dormir. Mesmo durante o sono, meu cérebro foi incendiado por suas ideias e imagens. Um sonho brilhante e estranho gera mais sonhos. Essa é a minha esperança — para mim mesmo e para o nosso setor.”

J.J. Abrams (Star Wars: O Despertar da Força) escolhe “Wicked: Parte 2”

“Que desafio é dirigir um musical. Especialmente um tão amado, vasto e complexo quanto Wicked. O gênero exige precisão de tom, ritmo e emoção. O material exige reverência e reinvenção ao mesmo tempo. E o público exige que suas queridas Glinda e Elphaba sejam apresentadas como as conhecem, mas que ainda assim vivenciem momentos inesperados e empolgantes.”

James Mangold (Ford vs. Ferrari) escolhe “Sonhos de Trem”

“Os melhores filmes são difíceis de descrever. Eles desafiam as palavras. Zombam da sinopse. Eclipsam o enredo. São pura luz, emoção e energia. […]
‘Sonhos de Trem’ precisa ser visto e sentido. Se você já o assistiu, meu trabalho está feito. Mas, se ainda não, espero que isso o incentive. ‘Sonhos de Trem’ não é dinheiro cinematográfico. Não é uma aula de história. Mas sim, é profundamente bom para você.”

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