Organizado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, o Oscar é a premiação mais aguardada do ano no universo do cinema, reconhecendo as maiores conquistas da indústria mundial. A premiação é amplamente conhecida como o prêmio mais prestigiado e cobiçado pelos cineastas e artistas de todo o mundo.
No entanto, certas escolhas da Academia evidenciam como o Oscar, apesar de ser um importante termômetro da indústria cinematográfica, também está sujeito a estratégias de campanha, subjetividades culturais e critérios internos de votação que nem sempre refletem a avaliação crítica ou histórica de obras e artistas.
Confira, então, as escolhas mais controversas e inusitadas do Oscar ao longo da história!
“Crash: No Limite” (2005) vencendo Melhor Filme em vez de “O Segredo de Brokeback Mountain”
Um dos momentos mais citados como polêmico na história dos Oscars foi a vitória de “Crash: No Limite” sobre “O Segredo de Brokeback Mountain” na 78ª cerimônia do Oscar. Enquanto Brokeback liderava o circuito das premiações (incluindo Globo de Ouro, BAFTA e Critics Choice), “Crash” surpreendeu ao levar a estatueta principal. Críticos e historiadores apontaram a decisão como um “upset” emblemático, com debates sobre possíveis sentimentos conservadores ou preconceituosos influenciando o resultado.
Angela Bassett não conquistando o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante em 2023
Em 2023, Angela Bassett foi amplamente apontada como favorita ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por seu papel em “Pantera Negra 2”, após conquistar prêmios importantes como o Critics Choice e o Globo de Ouro. Porém, a estatueta foi para Jamie Lee Curtis por “Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo”.
“Shakespeare Apaixonado” (1998) levando Melhor Filme em vez de “O Resgate do Soldado Ryan” (1998)
Na 71ª cerimônia, “Shakespeare Apaixonado”, com forte campanha na imprensa e lobby de estúdio, venceu o Oscar de Melhor Filme à frente de “O Resgate do Soldado Ryan”, um dos filmes mais aclamados do ano e sucesso crítico/popular. A vitória foi atribuída em parte a estratégias agressivas de campanha e à percepção de que Ryan era mais técnico e menos “Oscar-friendly”.
Tom Hooper vencendo Melhor Direção em 2011 em vez de David Fincher
Em 2011, Tom Hooper foi premiado com o Oscar de Melhor Diretor por “O Discurso do Rei”, apesar da forte concorrência de David Fincher por “A Rede Social”. Embora “O Discurso do Rei” tenha vencido Melhor Filme, muitos analistas e críticos consideraram a vitória de Hooper surpreendente frente à recepção crítica e ao impacto cultural de “A Rede Social”, que ficou com categorias técnicas e um prêmio de Roteiro Adaptado.
“O Discurso do Rei” consagrado como Melhor Filme em 2011
A vitória de “O Discurso do Rei” como Melhor Filme em 2011 solidificou a controvérsia do ano, visto que títulos como “A Origem”, “Cisne Negro” e “A Rede Social” estavam entre os mais elogiados pela crítica. A escolha gerou debates sobre a preferência da Academia por dramas biográficos “tradicionais” em detrimento de narrativas mais ousadas ou inovadoras.
“Faça a Coisa Certa” ficando de fora da categoria Melhor Filme
“Faça a Coisa Certa” (Do the Right Thing), de Spike Lee, é amplamente considerado um dos filmes mais importantes sobre raça e sociedade na cinefilia americana, com recepção crítica extremamente positiva e presença em listas de grandes filmes de todos os tempos. Apesar disso, foi preterido da categoria de Melhor Filme no Oscar de 1990, sendo indicado apenas em outras categorias menores.
Alfred Hitchcock nunca vencendo Oscar de Melhor Direção
Alfred Hitchcock, um dos diretores mais influentes do cinema mundial, foi indicado cinco vezes ao Oscar de Melhor Direção por filmes como “Rebecca”, “Janela Indiscreta” e “Psicose”, mas jamais venceu a categoria. Recebeu apenas um Oscar honorário em 1968 por sua contribuição geral ao cinema, fato frequentemente citado como uma das maiores omissões de prêmios da Academia.
Stanley Kubrick apenas vencendo um Oscar por Efeitos Visuais
Stanley Kubrick, autor de obras-ícone como “2001: Uma Odisseia no Espaço”, “Laranja Mecânica” e “Barry Lyndo”n, teve uma carreira repleta de indicações ao Oscar. Contudo, sua única vitória em um Oscar competitivo foi por 2001 na categoria de Melhores Efeitos Visuais. A ausência de prêmios em categorias principais é vista por críticos como um sinal de que os Oscars nem sempre reconhecem plenamente diretores cujas contribuições moldaram o cinema moderno.
Gwyneth Paltrow ganhando Melhor Atriz em 1999, superando Fernanda Montenegro
No Oscar de 1999, Gwyneth Paltrow venceu o prêmio de Melhor Atriz por “Shakespeare Apaixonado”, derrotando performances muito elogiadas, incluindo a de Fernanda Montenegro em “Central do Brasil” — esta última, primeira indicação brasileira na categoria, igualada apenas por sua filha, Fernanda Torres, em 2025. A derrota de Montenegro foi apontada por críticos e especialistas como exemplo de como campanhas e preferências da Academia podem influenciar resultados, mesmo diante de consenso crítico em torno de outra atuação.


