A temporada de premiações de 2026 já tem um gigante: Ryan Coogler. O aclamado diretor de “Pantera Negra” e “Creed” acaba de elevar o patamar do cinema de gênero com seu mais novo projeto, “Pecadores“. O longa não apenas conquistou a crítica, mas fez história ao alcançar a marca impressionante de 16 indicações ao Oscar, superando recordistas históricos como “Titanic”, “A Malvada” e “La La Land”.
Mas como um filme de vampiros no Mississippi dos anos 30 se tornou esse fenômeno? A resposta reside em uma trama que usa o terror para dissecar as feridas da história americana e o luto pessoal do próprio diretor.
O luto como inspiração
As raízes de “Pecadores” são profundamente íntimas. Coogler revelou que o roteiro nasceu do processo de luto por seu amado tio James. Enquanto gravava “Creed” na Filadélfia, o diretor enfrentou a culpa de estar longe quando seu tio faleceu.
Para lidar com a dor, Coogler começou a reimaginar as histórias que o tio contava sobre o Mississippi — contos que só surgiam quando o patriarca tomava seu uísque e ouvia o Blues. Essas memórias transformaram-se na fundação do filme, onde o Blues não é apenas um estilo de música, mas um estímulo ancestral.
O vampirismo como espelho social
Para Coogler, o gênero de terror também se tornou uma ferramenta política. Em “Pecadores“, o vampirismo deixa de ser apenas um elemento de susto para se tornar uma poderosa metáfora sobre a assimilação racial.
O antagonista Remmick (Jack O’Connell), um vampiro de origem irlandesa, personifica a busca pelo poder e o apagamento cultural. O roteiro traça um paralelo com a história real da imigração nos EUA: para obter proteção e status, o preço é a entrega da própria essência.
A Estética do Blues e o Terror Real
Ambientado em 1932, sob as leis de segregação Jim Crow, o filme utiliza a atmosfera do Delta do Mississippi para ancorar o medo na realidade histórica. O longa explora o sincretismo e as tradições espirituais do Mississippi. A figura dos antepassados aparece não como fantasmas assustadores, mas como guias silenciosos que habitam o ritmo do Blues e o solo daquelas terras.


