Nesta quinta-feira (12), chega aos cinemas brasileiros a nova adaptação do romance O Morro dos Ventos Uivantes. Com direção de Emerald Fennell, o elenco conta com Margot Robbie no papel de Catherine Earnshaw e Jacob Elordi como Heathcliff. Além disso, nomes como Ewan Mitchell, Shazad Latif e Hong Chau integram a história. A Alpha já assistiu ao lançamento e te conta o que esperar:
É realmente uma adaptação do livro?
Para quem leu o livro clássico do século XIX, escrito por Emily Brontë, já fica o aviso: o longa-metragem é uma interpretação livre do romance vitoriano. Fennell toma liberdades artísticas ao retirar personagens, alterar fatos importantes da história e criar um cenário completamente onírico, distante do que foi a Inglaterra no final do século XVIII.
A principal mudança, sem sombra de dúvidas, é a alteração da etnia de Heathcliff, personagem interpretado por Jacob Elordi. Na obra literária, ele é descrito como um jovem de pele escura, marcado pela condição de estrangeiro. Esse aspecto influencia diretamente toda a narrativa, já que o personagem sofre discriminação, abusos e violências extremas por conta de sua aparência. Como consequência, Heathcliff torna-se um homem cruel, embrutecido e disposto a fazer tudo por vingança.
Já no filme, o roteiro apresenta o personagem como um jovem intensamente apaixonado, com muito menos maldade incutida. Ele é maltratado, sim, pelo pai de Catherine, mas isso não o torna necessariamente vingativo — apenas ressentido.
Outra mudança relevante é a escolha do narrador. No livro, quem conta toda a história é Nelly Dean, a dama de companhia de Catherine Earnshaw. É ela quem relembra os acontecimentos do Morro dos Ventos Uivantes para o senhor Lockwood, o novo locatário da propriedade. No filme, porém, Nelly surge como uma coadjuvante, que atua ativamente para impedir que o casal principal fique junto.
Um detalhe de extrema importância é que o longa encerra a narrativa na metade do livro e apresenta um desfecho diferente daquele visto no romance de Emily Brontë.
Comparação com Romeu e Julieta
A mudança no final da história tem um motivo claro e intencional. Emerald Fennell constrói a tese de que Catherine e Heathcliff seriam uma espécie de Romeu e Julieta do século XVIII: dois jovens completamente apaixonados, separados pelo destino, com direito a um final trágico e, ao mesmo tempo, poético.
Essa ideia fica evidente em um diálogo entre Edgar e Isabella, no qual a personagem relembra a peça de William Shakespeare. Fica igualmente claro que, na visão de Fennell, Nelly, a criada, é a principal responsável por manter o casal separado.
O estilo de Emerald Fennell
Quem já assistiu a Bela Vingança e Saltburn provavelmente estará familiarizado com o estilo da diretora ao ver O Morro dos Ventos Uivantes. Os visuais são extremamente provocativos e têm a clara intenção de chocar o espectador. A cena de abertura, por exemplo, já expõe brutalidade e um certo prazer no sofrimento ao retratar um enforcamento.
Fennell também imprime um forte traço sensual à narrativa, com diversas cenas explícitas ao longo do filme. Por isso, o longa tem classificação indicativa para maiores de 18 anos.
Ainda assim, o principal objetivo da diretora é contar uma história de romance, com foco na relação entre os dois protagonistas. A faceta mais cruel de Heathcliff aparece de forma atenuada, dando lugar à figura de um jovem apaixonado, disposto a esperar por sua amada pela eternidade.


