A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma condição hormonal e metabólica comum em pessoas com sistema reprodutor feminino em idade fértil, caracterizada por um desequilíbrio nos hormônios sexuais, especialmente com aumento dos andrógenos (hormônios muitas vezes associados a características masculinas). Ela não é uma doença única, mas uma síndrome — ou seja, um conjunto de sinais e sintomas que variam de pessoa para pessoa.
O que é a SOP?
A SOP envolve um desequilíbrio hormonal que pode provocar irregularidades no ciclo menstrual, alterações no ovário e manifestações clínicas como excesso de pelos e acne. Uma das características associadas à síndrome é a presença de múltiplos pequenos folículos (cistos) nos ovários, que aparecem devido à dificuldade dos ovários em liberar óvulos regularmente.
Sintomas mais comuns
Os sinais e sintomas da SOP são variados e podem incluir:
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Irregularidade menstrual — ciclos espaçados, longos ou ausentes, resultado de ovulação irregular ou ausente.
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Hiperandrogenismo — níveis elevados de hormônios androgênicos, manifestados por hirsutismo (excesso de pelos no rosto e corpo), acne persistente e, em alguns casos, queda de cabelo no padrão masculino.
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Infertilidade ou dificuldades para engravidar, consequência direta da ovulação irregular.
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Alterações metabólicas — resistência à insulina, ganho de peso ou obesidade, que podem aumentar o risco de diabetes tipo 2 e outras complicações cardiometabólicas.
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Outros sinais associados podem incluir pele oleosa, manchas escuras na pele (acantose nigricans) e alterações de humor ou autoestima relacionadas às manifestações físicas.
Esses sintomas geralmente aparecem durante a adolescência ou no início da vida adulta e podem variar em intensidade entre as pessoas afetadas.
Diagnóstico
O diagnóstico da síndrome dos ovários policísticos é clínico e exige uma avaliação abrangente. Não há um único exame definitivo, e o diagnóstico é feito com base num conjunto de critérios, geralmente quando pelo menos dois dos seguintes três achados estão presentes, após excluir outras causas:
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Hiperandrogenismo clínico ou laboratorial (sinais ou exames que indiquem excesso de andrógenos).
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Disfunção ovulatória manifestada por ciclos menstruais irregulares ou ausência de ovulação.
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Morfologia policística dos ovários observada em exame de imagem, como ultrassom transvaginal.
Para isso, o profissional de saúde combina:
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Histórico clínico detalhado da paciente.
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Exames de sangue para dosagem hormonal e outras avaliações metabólicas.
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Ultrassom pélvico/transvaginal para visualizar a estrutura dos ovários e detectar múltiplos folículos.
É importante descartar outras condições com sintomas similares, como distúrbios da tireoide, hiperplasia adrenal congênita ou tumores produtores de hormônios, antes de confirmar o diagnóstico.
Importância do diagnóstico precoce
Embora não exista cura permanente, o diagnóstico precoce é fundamental para orientar o tratamento e reduzir riscos associados ao longo prazo, como infertilidade, síndrome metabólica, diabetes tipo 2 e complicações cardiovasculares. O manejo da SOP geralmente envolve mudanças no estilo de vida, acompanhamento médico, e, quando necessário, intervenções específicas com base nos sintomas e objetivos da paciente


