Formado em Melbourne, na Austrália, em 1979, o Men at Work virou uma referência mundial no cenário da música. Com o líder Colin Hay, integrante original, ainda na formação, a banda realizou uma apresentação na Vibra São Paulo, na capital paulista, nesta quarta-feira (6), como parte de uma turnê pela América Latina.
Basicamente, o vocalista decidiu retomar o grupo em 2018, após o término das atividades em 2002. Em comunicado publicado à época, o cantor escreveu que continuaria mesmo sem o saudoso tecladista Greg Ham, falecido em 2012, e destacou:
“Nas últimas três décadas, dediquei a maior parte do meu tempo a gravar discos e fazer turnês pelos Estados Unidos, construindo um público com meu trabalho solo […]. Mas sei o quanto muitos fãs gostam dos antigos sucessos do Men At Work, e eu também gosto de tocá-los. Em resumo, é isso que pretendo fazer em 2019, apresentar o repertório do Men At Work. A banda será formada por mim e por um grupo de músicos incríveis de Los Angeles, com quem venho trabalhando nos últimos anos […]. Sentirei falta do meu amigo Greg Ham. Fizemos turnês juntos como Men At Work no final dos anos 1990 e início dos anos 2000. Ele se foi, mas jamais será esquecido.”
Sendo assim, Jimmy Branly (bateria), San Miguel Perez (guitarra), Yosmel Montejo (baixo), Rachel Mazer (saxofone, flautas e teclados) e Cecilia Noël (backing vocals) atuam ao lado do frontman. E, como ressaltado pelo próprio, a ideia é celebrar ao lado de tais músicos o repertório que construiu com o Men at Work, tarefa muito bem executada na capital paulista.
Antes de sequer tocar a primeira faixa, com cerca de 15 minutos de atraso, o frontman entrou ao palco vestindo um terno branco e visivelmente emocionado. Pronunciou, em português, um “boa noite, São Paulo, Brasil” e, sorridente, disse que já estava com lágrimas nos olhos. Então, deu início à dançante noite com “Touching the Untouchables”.
Ao longo de duas horas, perdurou no local um clima de nostalgia, com clássicos como “Into My Life”, “Everything I Need”, “Down Under”, “Who Can It Be Now?”, “It’s a Mistake” e “Overkill”, que reviveram memórias em muitos dos presentes. Contudo, é importante deixar claro que a apresentação foi além dos hits.
O público paulista presenciou um espetáculo gostoso de se assistir. Seja pelas interações divertidas e sincronizadas dos músicos em faixas como “Can’t Take This Town” e “Upstairs In My House”, pelo carisma de Hay, sempre sorrindo cantando com os olhos fechados, ou pelo talento de todos em cima do palco.
Houve espaço para um solo de bateria em “Down by the Sea”, um solo de saxofone em “Can’t Take This Town”, um solo de guitarra em “It’s a Mistake” e um solo de baixo e de saxofone em “No Sign of Yesterday”, colocando individualmente cada membro nos holofotes. Cecilia também teve seu momento de brilhar em “Helpless Automaton”, faixa dedicada a Greg, na qual comandou os vocais principais e ainda arriscou uma dança robótica.
Aliás, a backing vocal, que vem de Lima, no Peru, também funcionou como uma espécie de “tradutora” de Colin. Ao longo do set, a expressiva artista traduziu as pequenas frases ditas pelo frontman, que mencionou, por exemplo, como o público brasileiro gosta de ouvir Men at Work e que pediu para que a plateia fizesse um dueto com ele em “Come Tumblin’ Down”, uma de suas canções solo.
Inclusive, não dá para não citar a voz impressionante do vocalista. Aos 72 anos, o cantor entrega um desempenho semelhante ao das décadas passadas e ao trabalho gravado em estúdio, ao ponto de vários dos fãs que assistiram à performance comentarem a respeito na saída. Em faixas como “Down by the Sea”, em que alcançou as notas altas, isso foi ainda mais perceptível.
Sobretudo, um dos momentos mais divertidos de Hay esteve justamente no final, enquanto performava “Down Under”. Com uma pegada de “escola de samba” ao fim da canção, o vocalista simplesmente dançou em cima do palco, levando a plateia à loucura. Tal cena resumiu de forma perfeita o caráter alegre e animado da apresentação.


