“The Boys of Dungeon Lane”: um guia completo sobre o novo álbum de Paul McCartney

Paul McCartney lançará em breve seu próximo álbum de estúdio. Chamado “The Boys of Dungeon Lane”, o trabalho é descrito como “uma coleção de raros e reveladores fragmentos de memórias nunca antes compartilhadas” sobre a história do artista, principalmente do início de sua vida em Liverpool, e chega a público nesta sexta-feira (29).

Veja abaixo um guia completo com tudo que você precisa saber:

Como foram as gravações?

Ainda no final de 2022, Paul revelou, por meio de seu site oficial, que tinha começado a trabalhar com o produtor Andrew Watt no vindouro material. “Estou fazendo mais gravações. Tenho gravado com algumas pessoas, então estou ansioso para fazer ainda mais. Comecei a trabalhar com um produtor chamado Andrew Watt, e ele é muito interessante”, escreveu em dezembro.

Como destacado em comunicado, o disco surgiu quando, durante um encontro com Watt, “Paul encontrou um acorde que nem ele reconheceu”. Por consequência, o músico chegou “a uma sequência de três acordes, que Watt sugeriu que eles gravassem”, o que deu origem a “As You Lie There”.

Em suma, Paul foi incentivado pelo produtor a tocar “a maior parte dos instrumentos”. A inspiração esteve no álbum de estreia “McCartney” (1970). Devido à agenda de Macca na estrada, as gravações aconteceram em “em sessões curtas e eficientes” em dois lugares: Los Angeles, nos Estados Unidos, e Sussex, na Inglaterra. 

“The Boys of Dungeon Lane” apresentará “uma variedade de instrumentos e estilos”: há desde “rock no estilo Wings”, a “harmonias que remetem aos Beatles” e “grooves característicos de sua carreira solo”. Ainda há a promessa de, para além dos momentos autobiográficos, “canções construídas a partir de personagens”.

Tracklist

Ao todo, o projeto contará com 14 canções. São elas:

  1. As You Lie There
  2. ⁠Lost Horizon
  3. ⁠Days We Left Behind
  4. ⁠Ripples in a Pond
  5. ⁠Mountain Top
  6. ⁠Down South
  7. ⁠We Two
  8. ⁠Come Inside
  9. ⁠Never Know
  10. ⁠Home to Us [feat Ringo Starr]
  11. ⁠Life Can Be Hard
  12. ⁠First Star of the Night
  13. ⁠Salesman Saint
  14. ⁠Momma Gets By

Conceito do projeto

“The Boys of Dungeon Lane” é descrito como “uma coleção de raros e reveladores fragmentos de memórias nunca antes compartilhadas” sobre a história de Macca, principalmente do início de sua vida em Liverpool.

Conforme texto do site do ícone, as “novas músicas mostram Paul em um momento franco, vulnerável e profundamente reflexivo, escrevendo com abertura sobre sua infância na Liverpool do pós-guerra, a resiliência de seus pais e as primeiras aventuras ao lado de George Harrison e John Lennon, muito antes de o mundo conhecer a Beatlemania.”

História por trás das músicas

Veja abaixo uma pequena história por trás das faixas, nas palavras do próprio Macca:

  • “As You Lie There”: “Em uma das janelas lá de cima [no bairro onde eu morava], havia uma garota por quem eu era apaixonado, chamada Jasmine. Mas eu não sabia como me aproximar dela, nunca cheguei a falar com ela. É disso que a música trata: imaginar Jasmine deitada ali” [via The Guardian].
  • “Lost Horizon”:Eu tinha um engenheiro que construiu meu estúdio, um cara incrível chamado Eddie Klein, que veio de Abbey Road. Um dia, Eddie estava trabalhando no estúdio enquanto fazíamos outra coisa. Ele estava convertendo fitas antigas do formato original para um formato mais moderno. Trabalhando ao fundo, ele me perguntou: ‘Você se lembra de uma música chamada Lost Horizon?’ Eu respondi: ‘Não, não muito.’ E ele disse: ‘Bem, ela não é ruim. Na verdade, é muito boa.’ Então falei: ‘Vamos ouvir.’ O que me surpreendeu foi, primeiro, eu ter esquecido dela. Acho que devo tê-la feito durante umas férias, em uma tarde qualquer, e gravado em uma fita cassete. Isso deve ter sido no começo dos anos 2000. Eu tinha esquecido completamente que havia feito algo até Eddie redescobrir a faixa” [via Revista Mojo]
  • “Days We Left Behind”: “Essa é, para mim, uma música de memória. O título do álbum, ‘The Boys of Dungeon Lane’, vem de um verso dessa canção. Eu estava pensando exatamente nisso, nos dias que deixei para trás, e muitas vezes me pergunto se estou apenas escrevendo sobre o passado — mas então penso: como escrever sobre qualquer outra coisa? São muitas lembranças de Liverpool. Há um trecho no meio sobre John e a Forthlin Road, que é a rua onde eu morava. Dungeon Lane fica perto dali. Eu vivia em um lugar chamado Speke, bastante operário. Não tínhamos quase nada, mas isso não importava, porque as pessoas eram incríveis e você nem percebia que tinha pouco” [comunicado oficial]
  • “Ripples In A Pond”: “É basicamente uma canção de amor para Nancy. Escrevi em terceira pessoa, falando ‘ela’, mas decidi que seria muito melhor fazer de forma mais direta. Então mudei o ‘ela’ para ‘você’, porque assim a música ganha um significado um pouco mais forte” [via Variety]
  • “Mountain Top”: “É como o Coachella e o Glastonbury… aquele tipo de gente que vai passar o fim de semana se desligando do mundo. E nós vamos a muitos festivais hoje em dia. Teríamos ido ao Glastonbury este ano, mas ele não vai acontecer. Eu estava tentando capturar essa sensação de uma jovem em um festival, vivendo aquela experiência, meio fora da realidade” [via Variety].
  • “Down South”: “Algumas das faixas deste álbum são lembranças minhas. Essa é inspirada nas memórias de viagens de carona com George Harrison. Pegávamos carona em caminhões rumo a destinos de férias, porque assim tirávamos férias sem gastar nada. A grande coisa nisso é que realmente cria um vínculo, porque vocês ficam apenas um com o outro, e acabam conhecendo o humor e os gostos de cada um. São sobre memórias muito afetuosas com George” [via Variety]. 
  • “We Two”: “Foi gravada numa máquina Studer de quatro canais. Temos um orgulho especial da caixa da bateria.” [via Billboard]. 
  • “Come Inside”: “É basicamente uma música de rock, não há muito mais o que dizer além de que é fantástica” [via Variety].
  • “Never Know”: “Eu estava na Califórnia. Sempre adorei aquela atmosfera de Laurel Canyon nos anos 1970. Estava tocando violão e tentando capturar essa sensação. Isso aqui é a minha tentativa de fazer isso” [via Billboard].
  • “Home To Us”: “O Ringo Starr apareceu no estúdio e tocou um pouco de bateria. Eu disse ao Andrew que deveríamos fazer uma faixa e enviar para ele. Então, essa música foi feita totalmente pensando no Ringo. Ao escrever a canção, estou falando sobre de onde viemos.  Criei a música em torno dessa ideia e mandei para o Ringo. Ele me devolveu uma versão em que apenas acrescentou algumas linhas no refrão, então pensei: ‘Talvez ele não tenha gostado.’ Liguei para ele, e ele disse que achava que eu queria que ele cantasse apenas uma ou duas linhas. Então respondi que adoraria ouvi-lo cantar a música inteira e acabamos fazendo um dueto. Nunca tínhamos feito isso antes.Depois queríamos alguns vocais de apoio, e tive a ideia de que seria bonito ouvir vozes femininas. Chrissie Hynde disse que toparia participar, e Sharleen Spiteri também — elas são amigas. Então, elas fizeram os backing vocals” [via comunicado].
  • “Life Can Be Hard”: “Compus essa música durante o período de lockdown, quando muita gente passou por momentos difíceis e outras não. Nós tivemos sorte. Eu estava com a Nancy, e a sobrinha dela, Marissa, estava em casa com o marido e o bebê recém-nascido. Então, foi muito legal: nós dois na casa com eles e o bebê. É uma canção de esperança para o futuro” [via Variety]. 
  • “First Star Of The Night”: “Foi composta na Costa Rica. Caía uma chuva tropical, então peguei meu violão e pensei que poderia escrever uma música” [via Mirror]. 
  • “Sailsman Saint”: “Um dia, enquanto trabalhava naquela música, ‘Salesman Saint’, comecei a pensar: ‘Nossa, hoje em dia criar filhos é difícil.’ É uma experiência incrível, mas exige esforço. Então pensei: ‘Como será que isso foi para os meus pais?’ Aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial. Era algo completamente diferente de qualquer coisa que conhecemos hoje. Não que eu estivesse tentando ser nostálgico, mas, ao contar essa história, inevitavelmente havia nostalgia, porque estava me referindo ao passado” [via Mojo].
  • “Momma Gets By”: “Essa é um puro exercício de imaginação. Estou imaginando uma mulher lidando com um cara que parece um pouco preguiçoso. Criei dois personagens, como se fosse uma peça. Vou brincando com eles e pensando: ‘O que ela estava pensando? Por que ela pensa assim?’ E isso acabou se transformando na música.”Você pega pedaços de si mesmo, pedaços da vida que conhece, e é isso que me interessa como compositor: escrever sobre o que é, o que foi ou o que poderia ser” [via Mojo].

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