Primavera Sound estreia no Brasil com shows memoráveis

*Imagem: Show da Lorde (Divulgação/ Pridia)

Neste último final de semana, dias 05 e 06 de novembro, ocorreu a primeira edição no Brasil do Primavera Sound, o festival de música que acontece todo ano em Barcelona. Aqui em São Paulo, os headliners escolhidos para agitar o Distrito Anhembi foram Arctic Monkeys e Bjork no primeiro dia e, no segundo, Travis Scott e Lorde. Claro que todo o line-up trazia grandes nomes da música mundial e nacional abrangendo diversos estilos musicais: do rock ao pop, do rap ao eletrônico, tudo dividido em cinco palcos: Beck’s, Primavera, Elo, Bits e Auditório Barcelona.

O primeiro dia da edição recebeu o esperado show dos britânicos do Arctic Monkeys em um espaço lotado e disputado com a visão prejudicada em alguns pontos. Isso porque o Palco Beck’s ficava em uma área de estacionamento e, entre guias elevadas e o asfalto, haviam muitas árvores que atrapalharam o público. Os telões espalhados pelo espaço realmente salvaram o show para os que estavam longe do palco. O grupo tocou hits de toda a carreira, principalmente do álbum fenômeno de 2013 “AM”, como R U Mine?, Arabella e Do I Wanna Know?. As faixas mais recentes não ficaram de fora, porém com menos resposta do público, que ansiava pelos grandes sucessos.

A islandesa Björk cantou acompanhada da Orquestra Brasileira Bachiana Filarmônica, porém a apresentação é o oposto do que estamos acostumados nos festivais: foi um show acústico e focado na voz da artista. O repertório abraçou músicas mais antigas, como Jòga, Isobel e Hyperballad mas, para os que estavam curiosos para conhecê-la, me pareceu que não tenha agradado muito. Com exceção dos fãs em torno do palco, os comentários sobre a apresentação do público geral não foram muito bons. “Não entendi o conceito”, me disse um amigo. A Björk não é para todos!

No segundo e último dia, a neozelandesa Lorde, com uma roupa vermelha, sorriso grande e muito carisma, fez o público se apaixonar. Durante toda a apresentação, a artista de 26 anos agradecia a plateia e seu retorno ao país, conversando sempre com todos entre as músicas. O cenário do show era lindo, o que tornou ainda mais memorável a apresentação. Nem preciso dizer que quando cantou Royals – música que a tornou conhecida mundialmente – todos foram à loucura, né? Ela também apresentou as músicas do mais recente álbum “Solar Power”, trazendo essa estética de astros, cor amarela, contrastes… tudo muito lindo!

Travis Scott tem fãs fiéis que o acompanham desde o início da carreira. Seus shows são conhecidos por serem “perigosos”, já que todos pulam muito e abrem as conhecidas rodas, onde todos ficam muito apertados. No Primavera Sound São Paulo, o artista surgiu no palco em uma plataforma suspensa (que também era um telão, dependendo do ângulo), em meio a um gigante cenário no maior estilo “Astroworld”, seu álbum de 2018. Luzes de laser, grave forte e beats enérgicos fizeram todo mundo pular junto enquanto Travis cantava seus maiores hits, como Highest In The Room, Mafia e Sicko Mode. O ponto alto do show foi quando ele chamou um fã para cantar Goosebumps, o que foi extremamente emocionante já que o garoto sabia letra, coreografia e se jogou no momento.

Além dos headliners, outros nomes de peso passaram pelos cinco palcos, como Liniker, Interpol, Mitski, L7nnon, Charli XCX, Father John Misty, Phoebe Bridgers, Terno Rei, Julia Mestre e Raveena. Foi um final de semana intenso, cheio de apresentações e muita música boa. O evento recebeu cerca de 55 mil pessoas por dia, o que corresponde à lotação total do espaço. Por ser a primeira vez do festival no país, alguns erros aconteceram, mas nada grave. Apenas pontos que podem – e devem – ser melhorados nas próximas edições. Entre eles, a desorganização entre os funcionários que trabalhavam no evento, já que boa parte não sabiam informações básicas de ajuda ao público. Haviam poucos caixas para recarregar as pulseiras cashless (era por meio dela que as pessoas podiam consumir dentro do festival), o que levava a um tempo aproximado de 40 minutos de fila em alguns momentos. Além disso, o evento deveria ter disponibilizado maior quantidade de mesas e cadeiras na praça de alimentação – boa parte das pessoas sentavam no chão. Era um espaço amplo e fechado, porém, na área externa dos food trucks não havia local algum para se sentar, apenas no chão.

Sobre o que deu muito certo, os copos ecológicos eram gratuitos, ou seja, o público entrava no festival e já ganhavam um copo retornável e personalizado, o que ajuda a diminuir (e muito!) o lixo do local. O espaço do Distrito Anhembi foi muito bem aproveitado, utilizando inclusive as arquibancadas para os shows que aconteceram no Palco Elo. Os banheiros estavam ótimos. Para os que não gostam de banheiro químico, haviam os fixos, que eram vários e em todos os cantos do Anhembi, bastava procurar bem em locais estratégicos – como na área fechada do Auditório, que estavam sempre sem filas.

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