Exposição “As Aventuras de Pinóquio” revisita impacto cultural do clássico no Farol Santander

Publicado em 1883, As Aventuras de Pinóquio, de Carlo Collodi, atravessou gerações como muito mais do que um conto infantil. A história do boneco de madeira que deseja se tornar um menino de verdade tornou-se um símbolo universal sobre ética, formação moral, responsabilidade e humanidade, sendo reinterpretada continuamente pela literatura, pelas artes visuais e pelo cinema. Pinóquio representa o aprendizado por meio do erro, a tensão entre liberdade e consequência e a construção da identidade — temas que seguem atuais mais de um século depois de sua criação.

Esse legado ganha uma leitura ampla e sensorial na exposição “As Aventuras de Pinóquio”, em cartaz no Farol Santander até 22 de março de 2026. Com curadoria de Rodrigo Gontijo, a mostra ocupa dois andares do edifício e reúne mais de 300 itens, entre esculturas, livros, ilustrações, filmes, bonecos, gravuras, autômatos, instalações sonoras e uma coleção de 31 Pinóquios em madeira, vindos de diferentes épocas e países. O percurso propõe uma abordagem histórica, literária e visual do clássico, revelando como o personagem se transformou em um ícone cultural global.

O percurso expositivo se organiza a partir de eixos conceituais, e não apenas cronológicos. Em um dos ambientes, o visitante é convidado a compreender Pinóquio como um fenômeno histórico, conhecendo o contexto de criação da obra, edições raras do livro e as primeiras representações gráficas do personagem, assinadas por ilustradores como Enrico Mazzanti e Carlo Chiostri. Nesse mesmo núcleo, surgem diálogos com a produção brasileira: marionetes em madeira do artista Gil Toledo, uma biblioteca dedicada às traduções nacionais da obra e uma instalação de Adriana Peliano que aproxima o universo de Pinóquio dos personagens criados por Monteiro Lobato. A experiência se desdobra em trabalhos que exploram o movimento e o som, como os autômatos em madeira de Eduardo Salzane e Maurizio Zelada, acompanhados pela instalação sonora Constelação, do duo O Grivo.

No andar 19, Pinóquio é apresentado como um clássico aberto a interpretações infinitas. Textos e reflexões de pensadores como Ítalo Calvino, Umberto Eco, Giorgio Agamben, Giorgio Manganelli e Alberto Manguel ajudam a contextualizar como a obra foi relida ao longo do tempo. Esse eixo reúne registros da primeira adaptação cinematográfica do personagem, dirigida por Giulio Antamoro em 1911, ilustrações de Roberto Innocenti e diferentes versões de Pinóquio no cinema, incluindo a animação dirigida por Guillermo del Toro em 2022. O trajeto inclui ainda obras de Zé Bezerra, Alex Cerveny, Jim Dine e Lorenzo Mattotti, culminando em um ambiente imersivo que combina projeções digitais, trechos do texto original e cenas do filme I.A. – Inteligência Artificial, de Steven Spielberg.

Serviço

Exposição: As Aventuras de Pinóquio
Farol Santander — Rua João Brícola, 24, Centro, São Paulo
Até 22 de março de 2026
Terça a domingo, das 9h às 20h
R$ 45 (inteira) | R$ 22,50 (meia-entrada)
Crianças até 3 anos não pagam
Ingressos disponíveis no site oficial do Farol Santander
Classificação: Livre para todas as idades

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