Zoológico de São Paulo passa a abrigar raposas-do-deserto pela primeira vez na América Latina

O Zoológico de São Paulo anunciou a chegada de quatro fenecos, conhecidos popularmente como raposas-do-deserto, tornando-se o primeiro zoológico da América Latina a receber a espécie. Originários de regiões áridas do Norte da África, especialmente do Saara, os fenecos chamam atenção pelo pequeno porte, pelas grandes orelhas — adaptadas para dissipar calor — e pelo comportamento noturno. No ambiente natural, vivem em tocas subterrâneas e apresentam hábitos altamente adaptados a temperaturas extremas e escassez de água.

As raposas-do-deserto, especialmente o Feneco, pertencem à família dos canídeos e estão entre as menores espécies de raposas do mundo. Seu corpo compacto, a pelagem clara e extremamente densa e as orelhas desproporcionalmente grandes são adaptações diretas ao ambiente desértico, auxiliando na regulação térmica e na audição de presas sob a areia. Animais de hábitos majoritariamente noturnos, os fenecos se alimentam de insetos, pequenos vertebrados, ovos e frutos, obtendo boa parte da hidratação diretamente dos alimentos. Essas características tornam a espécie um exemplo notável de adaptação evolutiva a ecossistemas extremos, reforçando a importância de ações de conservação e educação ambiental voltadas à proteção da fauna de regiões áridas.

As raposas-do-deserto enfrentam ameaças sérias e localizadas em diferentes partes do mundo. A perda de habitat causada pelo avanço do desenvolvimento humano, urbanização e o comércio ilegal de animais silvestres tem provocado declínios populacionais em áreas específicas. Situações semelhantes afetam espécies aparentadas nos desertos dos Estados Unidos e do Saara. A raposa-do-deserto-peruana, por exemplo, é classificada como “Quase Ameaçada” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), principalmente devido à degradação ambiental e à caça. A presença dos fenecos no zoológico também tem papel educativo, ao ampliar o conhecimento do público sobre conservação e biodiversidade de ecossistemas extremos.

Além das raposas-do-deserto, o Zoológico de São Paulo também recebeu recentemente um casal de hienas-malhadas, conhecidas pelo vocalize característico semelhante a risadas, ampliando o conjunto de espécies raras sob cuidados da instituição.

Para quem deseja conhecer os novos moradores e os demais animais do parque, o Zoológico de São Paulo está com a promoção “Todo mundo paga meia”. Até 5 de janeiro de 2026, de segunda a sexta-feira, os ingressos avulsos comprados antecipadamente até 1º de janeiro garantem 50% de desconto. O valor da meia-entrada é de R$ 49,95.

Sobre o Zoo de São Paulo

O Zoológico de São Paulo ocupa um papel central na conservação da fauna no Brasil. Mais do que um espaço de visitação, a instituição consolidou-se como um centro de pesquisa, manejo e educação ambiental, atuando de forma integrada com universidades, órgãos ambientais e instituições científicas. Ao longo das últimas décadas, o zoo ampliou sua atuação para além da exibição de animais, assumindo responsabilidades diretas na proteção da biodiversidade brasileira.

Nesse contexto, o Zoo de São Paulo tornou-se a primeira instituição brasileira a propor e participar de programas estruturados de recuperação de espécies seriamente ameaçadas de extinção. Esses programas envolvem reprodução em ambiente controlado, estudos genéticos, monitoramento populacional e, quando possível, a reintrodução de indivíduos na natureza. Espécies brasileiras que sofreram declínios acentuados devido à perda de habitat, caça e fragmentação ambiental passaram a contar com planos de manejo desenvolvidos ou apoiados pelo zoológico, sempre em articulação com órgãos como o ICMBio e secretarias ambientais.

Além dos resultados científicos, essas iniciativas têm forte impacto educativo. Ao apresentar ao público espécies ameaçadas e explicar os desafios de sua sobrevivência, o Zoo de São Paulo contribui para a formação de consciência ambiental e para a valorização da fauna nativa. A combinação entre pesquisa, conservação e educação reforça o papel da instituição como referência nacional em proteção da biodiversidade, demonstrando que zoológicos modernos podem atuar ativamente na preservação de espécies e ecossistemas brasileiros.

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