Metallica empolga Morumbi lotado com clássicos

Elton John disse uma vez que “Nothing else matters”, do Metallica, é “uma música que nunca envelhece”. E a apresentação da banda em São Paulo na última terça-feira, no Estádio do Morumbi, não só confirmou a declaração do cantor como se estendeu para o resto do repertório.

O grupo brasileiro Ego Kill Talent ficou responsável pelo primeiro show de abertura, às 18h30. Os paulistas cantaram poucas músicas, mas cativaram com “We all” e causaram barulho ao descreverem o ato principal da noite como “a maior banda de rock do mundo”.

Na sequência, o Greta Van Fleet subiu ao palco, com a capa do trabalho recente “The Battle at Garden’s Gate” projetada. As performances mantiveram longos períodos instrumentais, pouca interação com o público e muitos gritos agudos do vocalista Josh Kiszka – rendendo até o apelido de “Grito Van Fleet” para o quarteto. “Black smoke rising” e “Highway tune” brilharam no set, tanto por serem as mais famosas, quanto pelo envolvimento da plateia.

Depois que “It’s a long way to the top (If you wanna rock ‘n’ roll)” do AC/DC terminou de tocar e uma cena do filme de Sergio Leone “Três Homens em Conflito” (The Good, the Bad and the Ugly) apareceu no telão, os fãs foram à loucura: isso significava a entrada do Metallica. A vinda para o país, programada para abril de 2020, sofreu alguns adiamentos devido à pandemia. Por isso, a animação, ansiedade e expectativas estavam altíssimas, em todos os instantes.

Quase todas as músicas tiveram mosh pit (as famosas roda-punk) e letras berradas pelas 70 mil pessoas presentes. Vale destacar os inúmeros gritos de “Master” em “Master puppets” e “For whom the bells tolls”, com o guitarrista Kirk Hammett recebendo fortes aplausos pelo solo.

No geral, o setlist foi parecido com o das outras apresentações na América do Sul, mas surpreendeu ao deixar de lado “The unforgiven”, um dos maiores clássicos, e dar espaço para “Dirty window”.

Ao longo do evento, James Hetfield entoou frases como “este lugar é bonito, mas vocês estão o deixando ainda mais bonito”, “não tem nenhum outro lugar que eu gostaria de estar do que aqui agora” e emocionou com uma declaração antes de “Sad but true”: “É por isso que vivemos, esse é o nosso propósito, nos faz sentir bem. Enche nosso coração ver a família Metallica reunida aqui aproveitando música ao vivo. Realmente nos faz sentir bem”.

O episódio do bebê nascido no show de Curitiba, no último dia 7, também não passou despercebido pelo vocalista: “Se você for ter um bebê aqui, por favor, venha aqui do lado”, brincou. Já o baixista Robert Trujillo provocou risadas ao puxar em determinado momento um coro de “sou brasileiro com muito orgulho”.

O palco era enorme, assim como a história da banda presente ali, com 40 anos de carreira. Os telões tecnológicos espalhados pela estrutura proporcionaram uma verdadeira imersão e, durante “Spit out the bone”, mostraram até a bandeira brasileira. Fogos, chamas e iluminação completaram o aparato.

Foi um verdadeiro espetáculo, que poderia ser resumido com a penúltima faixa (e o maior hit), “Nothing else matters”. As lanternas dos celulares e os leds azul e verde iluminaram o estádio, porém não trouxeram mais luz do que a própria performance. Lançada 30 anos atrás, a canção ainda gera comoção e continua com o mesmo apelo e força.

No fim, após encerrar a apresentação com “Enter Sandman”, a banda demonstrou mais uma vez carinho pelos brasileiros. Lars Ulrich distribuiu baquetas para os admiradores na grade, enquanto os outros três jogaram rios de palhetas por toda a extensão do palco. Eles andaram por ambos os lados, agradeceram demoradamente e sorriram, cientes do grande show que entregaram.

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