Bad Religion volta ao Brasil e faz show eletrizante em São Paulo

Banda realizou show único no país no Espaço Unimed nesta terça-feira (28)

Formado em 1980, o Bad Religion é um ícone mundial do punk rock. Com mais de quatro décadas de carreira, a banda continua na estrada e lançando novos discos de estúdio – com “Age of Unreason” (2019) sendo o mais recente, apesar de um sucessor já estar em desenvolvimento.

Após inúmeras passagens pelo Brasil, o grupo retornou para um show único no Espaço Unimed, em São Paulo, nesta terça-feira (28), como parte de uma turnê pela América do Sul. E, mais uma vez, mostrou porque, depois de tantos anos, permanece relevante e com um público fiel.

Greg Graffin (voz), Jay Bentley (baixo), Brian Baker (guitarra), Mike Dimkich (guitarra) e Jamie Miller (bateria) subiram ao palco às 21h15, com 15 minutos de atraso. Uma música de suspense saiu nas caixas de som, enquanto o logo da banda em vermelho neon era projetado nos telões, até que iniciassem a performance de aproximadamente 1h20.

Basicamente, o setlist seguiu o protocolo e contou com 24 músicas, que, como são curtas, couberam tranquilamente no tempo estipulado. Clássicos como “American Jesus”, “21st Century (Digital Boy)”, “Sorrow” e “Los Angeles Is Burning” marcaram presença. “Fuck You” causou reações empolgadas, com os fãs levantando o dedo do meio, assim como “Do What You Want” e “Come Join Us”, com recordes de pulos. Apesar dos pedidos de “Generator”, a música não foi tocada. Em “No Control”, um fã subiu ao palco, mas foi rapidamente retirado.

Complementando, os telões traziam animações que interagiam diretamente com as luzes. No fim de “End of History”, todo o palco ficou apagado em referência à letra. Já em “Atomic Bomb”, devido às imagens de chamas, as luzes ganharam um tom avermelhado.

Entre as músicas, o vocalista até mesmo aproveitou para contar pequenas histórias ao público como forma de introduzir as faixas. Ao tocarem “I Want To Conquer the World”, por exemplo, brincou que, mesmo após anos na estrada, ainda queria conquistar o mundo. Depois, dedicou “You” para as suas “pessoas favoritas no mundo”, no caso, os fãs.

Greg, aliás, é um baita frontman. Com seus típicos óculos e microfone de fio, o artista parece, de fato, sentir as letras das canções, pronunciando cada palavra com verdade, ao mesmo tempo em que gesticula e fica empolgado com cada instrumento, exaltando os colegas. Pra completar, disse vários “obrigado” e desfilou sorrisos.

“É bom estar de volta e ver todas esses rostos. Alguns desses rostos já vi antes”, comentou no início.

Por sua vez, Brian, mesmo interagindo pouco, fica literalmente, nos holofotes. Em solos de faixas como “Punk Rock Song” e “Fuck Armageddon…This Is Hell”, as luzes voltaram-se totalmente para si.

Já Jay trouxe muito bom humor. Logo no inicio, o baixista brincou que não entendia uma palavra do que o público dizia. Após “Suffer”, soltou uma risada maquiavélica enquanto Jamie tocava bateria no ritmo dos gritos da plateia, jogou uma água no público e entrou num dialógo brincalhão com o vocalista depois do bis, que afirmou que ele estava no banheiro.

No final, porém, o integrante foi responsável por um momento de reflexão, esperado em um show do Bad Religion. Com a frase “pense por conta própria” projetada em português no telão, o músico descreveu o Brasil como sua “segunda casa fora de casa”, pediu para que o público cuidasse um do outro e afirmou que a plateia era o “amanhã” e o futuro. “See you down the road”, finalizou.

Durante entrevista ao programa Danny Wimmer Presents, o vocalista, que também é doutor em zoologia pela Universidade de Cornell, declarou que “as pessoas gostam de focar nos atributos culturais do punk, e não nas grandes músicas”, o que considera “uma grande falha de como ele é caracterizado”. Sendo assim, o show da banda tem, realmente, suas canções como protagonistas.

“Se eu estou atrás de um púlpito ou no palco, estou apenas tentando provocar as pessoas a usarem e expandirem um pouco suas mentes. Nossas músicas sempre abordaram temas relacionados à ciência, filosofia e política”, explicou o cantor ao The San Diego Tribune. E não há melhor descrição para as letras inteligentes do grupo.

Ao mesmo tempo, as mensagens profundas das composições são acompanhadas por uma intensidade e um peso que geram moshpits, além de um sentimento de euforia. À Ultimate Guitar, o artista já havia mencionado que “o punk faz você se sentir animado, não é uma música sombria” e exatamente é o que o Bad Religion causou com suas canções na capital paulista. 

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