Robert Plant integrou uma das maiores bandas da história. Como vocalista do Led Zeppelin, fundado em 1968, o cantor conquistou fama mundial e ficou reconhecido pela voz potente, que emocionou multidões ao longo das décadas. Naturalmente, com o triste fim do grupo em 1980, o artista seguiu com outros projetos musicais — o mais recente deles, Saving Grace, realizou uma apresentação no festival C6 Fest, no Parque Ibirapuera, em São Paulo, neste domingo (24).
No começo de 2019, o artista de 77 anos formou o conjunto ao lado da cantora Suzi Dian. Inicialmente, acompanhados de Oli Jefferson (bateria), Tony Kelsey (guitarra), Matt Worley (banjo) e Barney Morse-Brown (violoncelo), realizavam pequenas apresentações ao vivo, tocando releituras de nomes como Patty Griffin, The Everly Brothers e Donovan, com foco sempre no blues e no folk. Após a pandemia, voltaram para a estrada em 2021 e aumentaram o ritmo de shows nos anos seguintes, expandindo a agenda para mais países, o que, agora, incluiu pela primeira vez a América do Sul.
O palco no C6 Fest contou apenas com assentos para os músicos e uma cortina com a capa do primeiro álbum homônimo lançado no ano passado. Toda a magia veio mesmo das músicas tocadas pelos artistas, iniciadas pontualmente às 20h30.
Bastou que a introdução de “The Very Day I’m Gone”, originalmente de Nora Brown, saísse nas caixas de som para que a plateia fosse à loucura. Plant entrou ao palco logo depois do resto dos competentes membros, sendo ovacionado antes mesmo de cantar a primeira nota em seu microfone de fio. Ali, já deu uma prévia de seu carisma ao curvar-se para os fãs.
Ao todo, o setlist contou com 15 faixas e 1h30 de duração. Como esperado, a performance no evento, a primeira de Plant na capital paulista desde 2015, esteve dominada pelas releituras. Contudo, sobrou espaço para a canção solo do vocalista, “Calling to You”, e “Let the Four Winds Blow”, do Robert Plant and the Strange Sensation. Ainda, rolaram músicas do Zeppelin, especificamente, “Ramble On”, “Four Sticks”, “Friends” e, surpreendendo ao encerrar o repertório, “Rock and Roll”, embalada por uma fina garoa.
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Claro que tais clássicos arrancaram reações mais efusivas e foram entoados em coro pelo público, que parecia completamente magnetizado pela presença de Robert. Com um timbre facilmente reconhecido por diferentes gerações e preservado independentemente da idade, o cantor teve total domínio de palco, advindo não só das décadas de experiência, mas de seu talento natural. Também chamou atenção pelos gestos, expressões, sorrisos, palmas e elegância, ao vestir uma camisa social preta e deixar os cabelos soltos.
Além do alto nível vocal evidenciado em faixas como “Let the Four Winds Blow”, o artista demonstrou carinho e respeito pelo público brasileiro, dentro e fora dos palcos. Durante sua passagem por Porto Alegre, por exemplo, circulou pela cidade, atendeu fãs e, no show em SP, fez questão de interagir com a plateia entre as músicas, trazendo um clima acolhedor e leve — explícito em músicas como “As I Roved Out” e “Calling To You”, em que criou uma divertida dinâmica de palmas e gritos com os presentes.
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Ainda no início, antes do cover de “Orphan Girl”, o cantor se apresentou, mencionou que vinha da Inglaterra e pontuou que fazia tempo desde a última vez que esteve por aqui, com “o divertido Jack White”. Então, revelou que esse era o show final da turnê pelo Brasil e que, infelizmente — enquanto fazia sinal de lágrimas —, estava na hora de voltar para casa, logo em seguida pedindo palmas para Suzi.
Nos momentos seguintes, chegou a repetir em português, mais de uma vez, “e aí, galera” e “obrigado”, e voltou a exaltar Suzi depois de “Angel Dance”, dizendo novamente que estava triste pelo fim da turnê nacional, mas que vive uma ótima fase como cantor e em boa companhia. Para completar, tocou gaita em “Higher Rock” e maracas na dramática “For the Turnstiles”, de Neil Young.
“Quando eu era uma criança, tantos anos atrás, eu costumava ouvir músicas memoráveis do final dos anos 60 da costa oeste dos Estados Unidos. Eu costumava ouvir Grateful Dead, Jefferson Airplane, Buffalo Springfield, Moby Grape. Eu era obcecado por essa linda música”, explicou antes de “It’s a Beautiful Day Today”, do Moby Grape, descrito como uma grande inspiração. Nem mesmo a invasão de uma fã ao palco em meio à faixa tirou o bom humor do vocalista, que mandou um “obrigado” em resposta à mulher retirada por seguranças.
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Era fácil lembrar do porquê Plant é considerado uma lenda da música. Ao mesmo tempo, a atmosfera intimista da performance — potencializada pelo parque escolhido como cenário — somada a todos os pontos citados trazia uma sensação de proximidade rara para um artista de tamanha grandiosidade.
Suzi, aliás, tanto complementa o trabalho de Plant de maneira exemplar, quanto brilha por conta própria. Em faixas como “Higher Rock” e “Orphan Girl”, a cantora, que usava um imponente vestido preto, ganhou certo protagonismo e impressionou pela voz límpida. Por sua vez, desfilou talento no acordeão e baixo e harmonizou com o parceiro de forma encantadora em “For the Turnstiles” e “Everybody’s Song” – com os dois até mesmo trocando risadas em “As I Roved Out”.
Parafraseando o próprio Plant: “que noite maravilhosa”. Nem mesmo a ausência de “Going to California” e “Black Dog”, tocadas em shows anteriores, tornaram a performance menos especial. Com certeza, o público deixou o Parque Ibirapuera torcendo para que Plant cumpra a promessa de voltar logo.


