Em agosto do ano passado, o Megadeth surpreendeu ao divulgar que encerraria as atividades. Um dos nomes mais importantes no thrash metal, o grupo foi fundado em 1983 por Dave Mustaine depois que deixou o Metallica e se consolidou como parte do “Big Four” do estilo.
Aliás, as mais de quatro décadas de carreira tiveram uma relação profunda com a América do Sul, o que inclui a Argentina, onde construíram uma fã-base fiel, e o Brasil, seja pelas inúmeras passagens por aqui desde 1991 ou pela presença do guitarrista Kiko Loureiro na formação entre 2015 e 2023. Sendo assim, o país foi contemplado com um show único e esgotado da turnê de despedida, neste sábado (2), no Espaço Unimed, em São Paulo.
Com certeza, a performance entrou para a memória dos fãs devotos que marcaram presença. Ao longo de 1h40, Mustaine, Teemu Mäntysaari (guitarra), Dirk Verbeuren (bateria) e James LoMenzo (baixo) celebraram o legado do Megadeth com êxito.
Após músicas do Led Zeppelin, Motörhead, Van Halen, Iron Maiden, Thin Lizzy e mais tocarem nas caixas de som, às 21h33, o esperado espetáculo começou. Com suas características munhequeiras e camisa branca e com a típica cabeleira ruiva tampando os seus olhos, Mustaine já tinha total domínio do público logo na entrada.
Ao todo, o set contou com 17 músicas e reações entusiasmadas em faixas como “Hangar 18” e “She-Wolf”, em que Dave deixou os presentes cantarem sozinhos. O mesmo aconteceu na versão de “Ride the Lightning”, faixa lançada pelo Metallica em que Mustaine aparece creditado na composição.
Em “Peace Sells”, dois mascotes Vic Rattlehead subiram ao palco, agitando o público. Já “In My Darkest Hour” ficou marcada por Dave abrindo a camisa e gesticulando efusivamente e “The Conjuring”, até então ausente dos repertórios, surpreendeu pela presença. Por outro lado, a amada “A Tout le Monde” ficou de fora.
Do novo e último disco homônimo, apareceram “Tipping Point”, canção que Mustaine já confessou ter ficado nervoso quando a tocou pela primeira vez, “I Don’t Care” e “Let There Be Shred”. Ao performar a terceira música mencionada, o cantor declarou que o disco foi número 1 nos Estados Unidos e descreveu o fato como importante para a comunidade do metal. Antes, mencionou que o último show havia sido em Buenos Aires, na Argentina, e perguntou quem estava vendo o Megadeth pela primeira vez.
Recentemente, o vocalista e guitarrista explicou que tomou a decisão de parar sobretudo por problemas de saúde, visto que sofre de artrite e de uma doença chamada Contratura de Dupuytren, que deixa as fibras musculares “travadas”. Independentemente das limitações, o artista, que já enfrentou até mesmo um câncer na garganta, ainda entrega uma performance capaz de empolgar. Tanto é que o próprio andou por todo o palco, fazendo headbang em todas as faixas.
Ainda que mantivesse uma feição séria nas performances, a expressão logo se suavizava enquanto falava com os fãs. A primeira interação veio na terceira música com um pequeno “good evening”, mas, a cada bloco de faixas, o frontman tirou um tempo para falar rapidamente com a plateia. Além disso, sorriu abertamente, mexeu no próprio cabelo e pareceu genuinamente feliz com os coros de “Dave” e “Olê Olê Olê Mustaine”.
O “novato” Teemu, também sorridente, ganhou destaque pelo seus solos e parecia muito mais à vontade em relação à vinda anterior. Dirk, mesmo atrás da bateria, chamava atenção pelas expressões e empolgação. Por sua vez, o carismático James chegou a soltar um “São Paulo, we love you” antes da final “Holy Wars… The Punishment Due”, na qual Mustaine introduziu toda a banda e, em certo momento, ainda colocou a guitarra atrás da cabeça.
Por mais que tenha feito parte da turnê de despedida, a apresentação não pareceu um adeus do Megadeth ao Brasil. Na Colômbia, o frontman prometeu voltar, o que esteve em sintonia com sua declaração à Rádio Rock: “Se tudo acontecer como estou esperando, vamos conseguir voltar e tocar no Brasil mais uma vez antes do fim”. Por isso, é impossível não levar a sério a frase “veremos vocês de novo” proferida ao fim.
Jogando inúmeras palhetas e baquetas à plateia, o Megadeth deixou o palco em clima de festa, com Teemu e James trocando um abraço. Com “My Way”, de Sid Vicious, nas caixas de som, Mustaine saiu até mesmo dançando. E é essa a impressão final.


