Quando questionado sobre a recorrente presença do Guns N’ Roses no Rock in Rio, o fundador Roberto Medina explicou que o vocalista Axl Rose “é uma entidade na história da música” e acrescentou que “muitas pessoas podem reclamar, mas vai lotar outra vez”. Na prática, é exatamente o que se observa sempre que o grupo retorna ao Brasil.
Neste sábado (4), a banda subiu ao palco do Monsters of Rock, realizado no Allianz Parque, em São Paulo, como atração principal da noite. Menos de um ano antes, em outubro de 2025, os músicos já haviam se apresentado no mesmo local, em um show que registrou recorde de público.
Constantemente, o GN’R reafirma a sua força e potência. Independentemente das críticas quanto aos vocais do cantor e, desta vez, aos problemas no som, a banda entregou um show poderoso, nostálgico, cheio de clássicos e emocionante, pensado para os fãs. É impossível não sentir-se completamente hipnotizado somente pela presença do lendário guitarrista Slash no palco ou de não arrepiar-se com a intro de “Welcome to the Jungle”.
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Além de Axl, Slash e do baixista Duff McKagan, Richard Fortus (guitarra), Dizzy Reed (teclados, piano e percussão) e Isaac Carpenter (bateria) tocaram como membros de apoio. Por motivos pessoais, a tecladista Melissa Reese está fora desta turnê.
Diferentemente das passagens anteriores, o setlist durou aproximadamente 2h30 – menos do que o “habitual”. Ao todo, foram apresentadas 24 canções.
Em relação à última vinda dos artistas por aqui, houve novidades no repertório: a presença de “Nothin’” e “Atlas”, canções descartadas do disco “Chinese Democracy” (2008) e lançadas em dezembro do ano passado. A rara “Bad Apples” também acabou resgatada pela primeira vez desde 1991.
Como esperado, rolou uma homenagem para o saudoso Ozzy Osbourne com um cover de “Junior’s Eye”, com direito à imagem do Príncipe das Trevas no telão. Axl aproveitou o momento para lembrar quando a banda tocou a música no Back to the Beginning, festival de despedida do Black Sabbath, e surpreendeu o próprio Madman e Sharon Osbourne pela escolha.
Também apareceu no set “New Rose”, releitura do The Damned, cantada por McKagan. “Boa noite, motherfuckers”, disse o baixista em tom brincalhão, com Axl complementando que era “a primeira música punk rock”. “Agora vocês receberam educação musical, é por isso que estamos aqui”, brincou.
Claro, sobrou espaço para os clássicos, como “Welcome to the Jungle”, “Sweet Child o’ Mine”, “Paradise City” e “Live and Let Die”, do Wings. Ainda, um dos pontos mais altos da noite esteve em “Knockin’ on Heaven’s Door”, versão de Bob Dylan, na qual Rose duetou com a plateia, e “November Rain”, com o vocalista no piano.
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Axl, aliás, corria por todo o palco, mandava sorrisos e gesticulava de maneira característica. Por vezes, soltava um “obrigado” em português, ou pequenas frases, falando até que queria dançar macarena. Ao longo do set, trocou de figurino, passando por uma jaqueta cravejada, uma camiseta preta básica, um colete de couro e óculos de sol.
Sempre ovacionado, Slash, considerado um dos 250 melhores guitarristas da história pela revista Rolling Stone, também ganhou os holofotes em determinadas músicas. Após “Atlas”, por exemplo, fez um solo, assim como em “Rocket Queen”, antes ausente dos compromissos anteriores, no famoso talk box solo.
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Mesmo sem hits como “Don’t Cry” e “Patience”, o Guns N’ Roses empolgou o público paulista. Não à toa, encheu novamente um estádio e recebeu reações eufóricas em toda a performance. No fim do dia, nada é capaz de apagar o legado da banda.
Setlist
- Welcome to the Jungle
- Slither
- It’s So Easy
- Live and Let Die
- Mr. Brownstone
- Bad Obsession
- Rocket Queen
- Perhaps
- Dead Horse
- Double Talkin’ Jive
- Nothin’
- You Could Be Mine
- Civil War
- Junior’s Eyes
- Knockin’ on Heaven’s Door
- New Rose
- Atlas
- Slash Guitar Solo
- Sweet Child o’ Mine
- Estranged
- Bad Apples
- November Rain
- Nightrain
- Paradise City


