Não é exagero dizer que o show do Deftones era um dos mais aguardados do Lollapalooza Brasil 2026. Formada por Chino Moreno (voz), Stephen Carpenter (guitarra; substituído ao vivo por Lance Jackman), Abe Cunningham (bateria) e Frank Delgado (teclados), a banda não vinha ao Brasil há mais de uma década. Mais especificamente, desde 2015.
Contudo, a apresentação no festival, realizada nesta sexta-feira (20), no Autódromo de
Interlagos, em São Paulo, compensou a espera. Divulgando o álbum mais recente “Private Music” (2025), os músicos entregaram um show enérgico, etéreo e, graças às inúmeras luzes de led e ao telão cheio de efeitos psicódelicos, potente visualmente. Não à toa, toda a região do Palco Samsung Galaxy estava lotada, inclusive, por muitos jovens que devem ter conhecido o grupo por meio do TikTok, onde ganharam popularidade.
As canções dos artistas são marcadas por um forte caráter emocional carregado de
melancolia e sensualidade e envolto por uma sonoridade orientada ao rock alternativo, shoegaze e metal, com presenças marcantes das guitarras e baixo. Tudo isso se traduz no palco, causando um magnetismo intenso no
público, que ia dos moshs à contemplação e, claro, muita gritaria.
Chino, com os característicos vocais arrastados entoados num microfone de fio, vestia-se de maneira simples: uma camisa e uma calça em tons escuros, usando depois apenas uma camiseta amarela. Ainda assim, impunha grandiosidade, fosse quando sussurrava ou gritava, ou, até mesmo, imerso nas canções e mandando corações ao público.
“Tocar em um festival é definitivamente diferente de fazer nossos próprios shows […]. Quando se trata de algo como o Coachella ou o Lollapalooza, é quase como um mini comercial. Você tem um set de uma hora e, para muita gente, pode ser a primeira vez vendo a gente ao vivo, então acaba apostando nos ‘maiores sucessos’. É como um pequeno comercial de 50 minutos, uma hora, mostrando o que é a nossa banda”, já descreveu Chino sobre a experiência à Revolver Magazine.
De fato, o repertório priorizou sucessos, como “Be Quiet and Drive (Far Away)”, “My Own Summer (Shove It)”, “Change (In the House of Flies)”, “Cherry Waves” e “Sextape”. Entre os destaques, também estiveram “Headup” e “7 Words”, nas quais rolaram até sinalizador.
Porém, de qualquer forma, sobrou espaço para “my mind is a mountain”, “ecdysis”, “locked club”, “infinite source” e “milk of the madonna”, novidades do último projeto. Esta última, devido a cor da capa do disco, esteve acompanhada de luzes verdes.
Em meio às canções, Chino, que movimentava-se por toda extensão do palco e pulava constantamente, pronunciava sonoros “thank you” e chegou a parar para observar a plateia antes de “ecdysis”: “Não viemos para cá o suficiente. Agora eu lembrei o porquê temos que voltar com mais frequência”, chegou a dizer antes de “milk of the madonna”.
Vale destacar que, para a performance, os artistas contaram com o reforço do baixista Fred Sablan, que já havia gravado o último disco, e do guitarrista Shaun Lopez.


