Dia do Atleta: Arthur Zanetti e Daniel Dias aquecem para Jogos de Tóquio

Nesta quarta-feira (10), é comemorado o Dia do Atleta Profissional. A data homenageia, desde 24 de março de 1998, todos que fazem do esporte uma profissão. 

A ideia de praticar esporte para "ganhar a vida" surgiu nos Jogos Olímpicos antigos, que inspiraram as Olimpíadas modernas. No início, eles aconteciam na Grécia, em Olímpia, quando os atletas eram patrocinados para treinarem em tempo integral. Com as Olimpíadas e Paralimpíadas se tornando cada vez mais importantes, com o  aumento da popularidade de diversas categorias atuais, a profissão de atleta passa a ser mais comum. 

No entanto, não é porque não faz parte do mercado de trabalho convencional que é uma ocupação descomplicada, como muitos pensam. Pelo contrário. A rotina de treinos, aliado ao compromisso e disciplina, mostra que a área exige muito foco. O ginasta artístico Arthur Zanetti garante que é importante, além de tudo, a busca da superação de si mesmo. "O legal é sempre estar tentando tirar a melhor nota [nas competições]. A gente se motiva a continuar treinando e conseguir atingir metas", conta. 

Ao entrar no universo da ginástica artística aos 8 anos, ele jamais imaginou que se tornaria o primeiro brasileiro a conquistar ouro em qualquer categoria do seu esporte. Arthur é campeão mundial na modalidade de argolas e coleciona, hoje, duas medalhas nas Olimpíadas – uma de ouro nos jogos de Londres (2012) e outra de prata, nos jogos do Rio de Janeiro (2016) – e inúmeras em competições internacionais. “Fui um atleta privilegiado neste ano [2016], porque eu competi em casa e ainda consegui ser medalhista. Marcou bastante. O povo brasileiro passa uma energia muito positiva, que a gente consegue sentir ali na arena todos torcendo por você”, lembra.  

Os jogos do Rio não marcaram apenas o ginasta. Para o nadador Daniel Dias, que compete nos Jogos Paralímpicos – que acontecem na sequência dos Jogos Olímpicos – o último evento também foi especial. Ele, que é o maior medalhista brasileiro da história na categoria em que compete, garantiu 9 medalhas no Rio 2016. Além disso, é o único brasileiro a ter 3 Troféus Laureus do Esporte Mundial, uma espécie de "Oscar do Esporte". "Tenho 24 medalhas no total e é um número expressivo. Nas Paralimpíadas do Rio me tornei o maior medalhista do mundo, então concretizar este feito em casa foi espetacular. Eu espero sempre poder entregar a minha melhor versão. Não penso em medalha, mas sim fazer o meu melhor e estar evoluindo como atleta", conta Daniel.

Rotina na quarentena

Com a pandemia, os jogadores esportivos também acabaram prejudicados na rotina de trabalho, que corresponde aos árduos treinos diários, sempre focados em alguma competição à vista.  “Eu até falo que fiquei literalmente um peixe fora d'água, porque nadador precisa de piscina e, num momento mais restrito, tivemos que ficar longe da água, o que foi o mais difícil para nós, nadadores”, diz Daniel. “Eu busquei manter uma rotina e não ficar ‘aleatório’, fui atrás de me cuidar para perder menos e, quando retomassem os treinos, estaria na melhor forma possível”, completa.

No caso de Arthur e da seleção de ginástica, o obstáculo era um pouco menor, já que a performance poderia ser praticada dentro de casa, na medida do possível. Em certo momento, a seleção, inclusive, deixou os treinos abertos ao público, que podia acompanhar de casa: “O ginásio ficou fechado por um bom tempo, e a gente começou a fazer treinos virtuais. No começo era só a seleção pelo Zoom, só que aí pensamos ‘pq não abrir para as pessoas verem?’ e aí acabamos liberando para o Brasil todo. Vários atletas também começaram a participar dos treinos virtuais com a gente, foi um desafio bem grande”. 

Durante a quarentena, eles conseguiram ficar mais próximos da família, já que em anos regulares de competição, o foco são os treinos e viagens para, muitas vezes, fora do país. Arthur Zanetti, inclusive, teve a oportunidade de receber durante o período, o mais novo membro da família, o Liam, seu primeiro filho com a professora Jéssica Coutinho. “Posso dizer que, de certa forma, eu até agradeci esse momento em casa, pelo fato de eu conseguir acompanhar toda a gestação da minha esposa, ver o nascimento do meu filho e acompanhar a evolução dele, pelo menos nesse período. Se as Olimpíadas de Tóquio tivessem acontecido no ano passado, provavelmente eu perderia boa parte da gestação, acredito que veria o parto, mas a cabeça estaria complicada”. 

Expectativas e pós Tóquio 2021

O ano, além de tudo, será decisivo na carreira dos esportistas. Arthur, que diz estar com boas expectativas para a competição, descarta a possibilidade da aposentadoria a princípio, mas garante que quer diminuir o ritmo para se dedicar ao mais novo cargo: a paternidade. “As expectativas para Tóquio estão boas e vamos estar lá para fazer o nosso melhor e, se tudo der certo, trazer mais uma medalha para o Brasil. Após, vou continuar treinando, provavelmente em um ritmo mais tranquilo”. 

Para Daniel, o plano de aposentadoria segue firme, aliado à ideia de cuidar da entidade que traz o seu nome, o Instituto Daniel Dias, que tem como objetivo contribuir com o desenvolvimento do esporte paralímpico brasileiro, além da descoberta e desenvolvimento de novos campeões: “A preparação está a todo vapor, são 6 meses que passam muito rápido e a gente sabe da grande importância que são os Jogos Paralímpicos. Este vai ser um final de ciclo na minha vida e acredito que contribuí de uma maneira riquíssima para o esporte brasileiro. Os planos agora são começar outro ciclo e cuidar do Instituto Daniel Dias, que é um projeto que nasceu há 5 anos e eu não consegui ainda entregar o que eu sempre sonhei para ele, então a minha busca agora é ajudar. Não vou deixar o esporte de jeito nenhum, mas vou contribuir de uma outra maneira, fazendo um trabalho de inclusão”. 

“O esporte transformou a minha vida e me fez entender que a deficiência não é uma definição. Ela pode até ser uma característica minha, mas ela não vai definir quem eu sou. A ideia que eu quero transmitir pelo Instituto é essa, que todos podem ser campeões na vida. No esporte é uma consequência, pois nem todo mundo quer ser atleta. Mas, com certeza, a ferramenta esporte pode transformar vidas”, finaliza. 

Para quem quer trabalhar com esporte e seguir carreira na área, o conselho que os competidores deixam são complementares: é necessário ter foco, disciplina e, acima de tudo, confiança em si mesmo. “Disciplina é uma palavra que eu utilizo bastante, pois se você tem disciplina dentro do ginásio, você tem fora, com a alimentação e por aí vai… Com certeza o resultado aparece”, diz Zanetti. “Acredite em você, porque nossos sonhos somos nós que construímos. As dificuldades vão vir e a gente não pode desistir no primeiro tombo e nem desanimar. Dentro de cada nós existe um potencial e uma força gigante, que nos faz superar. A gente realiza grandes feitos quando não colocamos limites de capacitação e realização”, completa o nadador. 

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