Nesta quinta-feira (22), chegou aos cinemas brasileiros “Marty Supreme”, novo filme de Josh Safdie – o mesmo responsável por “Jóias Brutas” (2020), cuja direção divide com seu irmão Benny Safdie –, estrelado por Timothée Chalamet.
No filme, Timothée Chalamet interpreta o mesa-tenista Marty Mauser – caracterizado com uma monocelha, cicatrizes de acne, sardas e um bigode ralo –, personagem baseado vagamente em Marty Reisman, multicampeão da categoria. A trama, ambientada nos anos 50, segue o jovem atleta com o sonho de se tornar campeão em sua categoria e que fará de tudo para alcançá-lo com grandeza.
Além de Chalamet, o elenco conta com Gwyneth Paltrow – vencedora do Oscar de Melhor Atriz por “Shakespeare Apaixonado” –, Odessa A’zion, Kevin O’Leary, Tyler Okonma – também conhecido como Tyler, The Creator –, Abel Ferrara e Fran Drescher.
A Alpha teve a oportunidade de assistir a “Marty Supreme” em primeira mão e te conta, agora, o que esperar do longa antes de você conferir tudo na maior tela que encontrar!
“Marty Supreme”: o que faz esse título ser tão comentado?
Ao aceitar o prêmio de Melhor Ator no Critics Choice Awards, Timothée Chalamet, que foi laureado por seu desempenho na produção, agradeceu ao diretor Josh Safdie por criar “uma história sobre um homem imperfeito com um sonho com o qual podemos nos identificar, e você [Safdie] não fez nenhum sermão para o público sobre o que é certo ou errado”.
Talvez, até você assistir ao filme em questão, a ideia levantada por Chalamet da ambiguidade sobre o “certo e o errado” deva parecer meio abstrata, mas evidencia, possivelmente, um dos maiores trunfos do roteiro da produção. “Marty Supreme” tem roteiro assinado por Safdie e Ronald Bronstein, que também coescreveu “Jóias Brutas”, e apresenta um dinamismo cheio de sobreposições e complexidades morais e emocionais.
Ao longo de 2h29, a trama provoca o espectador a torcer pelo protagonista — ambicioso e sonhador, mas também egomaníaco e egoísta — enquanto ele tenta sufocar a própria vulnerabilidade. É nesse caminho que um needle drop cirúrgico sela a virada da performance e reforça Timothée Chalamet como um homem permanentemente à beira do precipício, em uma atuação que justifica a aclamação que vem recebendo nesta temporada de premiações.
“Timothée Chalamet entrega uma das performances mais colossais do cinema do século XXI com a naturalidade de uma bandeja”, escreveu a IndieWire sobre o desempenho de Chalamet no longa.
Isso porque “Marty Supreme” opera na mesma engrenagem de “Jóias Brutas”: uma decisão leva à outra, e o colapso vira inevitável — uma soma de azar, escolhas ruins e circunstâncias que escapam completamente ao controle. Há ecos de “Depois de Horas”, de Scorsese, mas aqui tudo ganha contornos ainda mais absurdos, quase kafkianos. Nesse cenário, seria fácil para qualquer intérprete se perder no labirinto de subtramas improváveis e lógica quebrada. Mas não é o que acontece com Timothée Chalamet, que atravessa o caos com precisão e ainda adiciona densidade ao turbilhão, tornando a confusão em cena mais emocionalmente carregada e, ao seu modo, hipnótica.
Ainda na mesma página, com um roteiro carregado, um elenco de peso e uma escala cinematográfica de cair o queixo, seria fácil apostar que essa seria a magnum opus de um diretor experiente — e, justamente por isso, surpreende saber que este é o primeiro trabalho solo de Josh Safdie na direção: tudo funciona com precisão e plena competência, da fotografia de Darius Khondji sob lentes Panavision — com cortes amplos e a textura inconfundível da película em celulose — até a trilha sonora imersiva, construída em sintetizadores por Daniel Lopatin.
Relembrando, “Marty Supreme” chega aos cinemas nesta quinta-feira (22). Para garantir seus ingressos e conferir programações, clique aqui.


