Nos últimos anos, Hollywood encontrou uma nova mina de ouro capaz de reunir nostalgia, grandes trilhas sonoras e histórias dramáticas: as cinebiografias musicais. O movimento ganhou força recente com produções dedicadas a artistas que marcaram gerações e voltou a ganhar destaque com o anúncio de “Michael”, longa que retrata a trajetória do Rei do Pop.
Embora o gênero exista há décadas, o cenário mudou de forma significativa a partir de 2018. Naquele ano, “Bohemian Rhapsody”, que narra a história de Freddie Mercury e da banda Queen, tornou-se um fenômeno mundial. O filme arrecadou cerca de US$ 903 milhões nas bilheterias globais, consolidando-se como uma das cinebiografias mais lucrativas do cinema e demonstrando que histórias de grandes músicos poderiam atrair multidões às salas de exibição. A produção venceu quatro estatuetas do Oscar de 2019, incluindo Melhor Ator para Rami Malek.
Depois desse sucesso, os estúdios passaram a investir com mais frequência nesse tipo de produção. Filmes como “Rocketman”, centrado na carreira de Elton John, e “Elvis”, sobre Elvis Presley, reforçaram a tendência ao combinar drama biográfico com trilhas sonoras formadas por sucessos conhecidos do público. No circuito de premiações, o impacto também foi significativo: “Rocketman” venceu o Oscar de Melhor Canção Original com “(I’m Gonna) Love Me Again”, enquanto “Elvis” recebeu oito indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator para Austin Butler.
Além do potencial comercial, essas produções apresentam uma vantagem estratégica para os estúdios: partem de artistas que já possuem uma base de fãs consolidada. Isso significa que parte da audiência chega ao cinema com uma conexão emocional prévia com a história — e, principalmente, com as músicas. Para a indústria, esse fator ajuda a reduzir riscos financeiros e facilita campanhas de divulgação.
Outro elemento que contribui para o sucesso dessas obras é o famoso material dramático clichê das trajetórias retratadas. A vida de muitos músicos inclui ascensão meteórica, conflitos pessoais, escândalos e reinvenções artísticas. Esses elementos funcionam bem na narrativa cinematográfica e permitem explorar tanto os bastidores da fama quanto o impacto cultural das obras.
O resultado é uma sequência de projetos em desenvolvimento. Nos últimos anos, chegaram aos cinemas produções como “Bob Marley: One Love”, sobre Bob Marley, e “Back to Black”, dedicada à trajetória de Amy Winehouse. Outros projetos também estão em andamento, incluindo “Um Completo Desconhecido”, inspirado na vida de Bob Dylan — que também recebeu oito indicações ao Oscar, incluindo de Melhor Ator para Timothée Chalamet —, e “Springsteen: Salve-me do Desconhecido”, centrado em Bruce Springsteen.
É nesse contexto que surge “Michael”, dirigido por Antoine Fuqua. O longa pretende revisitar a trajetória de Michael Jackson, desde os tempos do The Jackson 5 até a consagração mundial com álbuns como “Thriller”.


