Michael: como cinebiografias musicais viraram tendência em Hollywood

Cinebiografia de Michael Jackson chega às telonas dia 23 de abril

Nos últimos anos, Hollywood encontrou uma nova mina de ouro capaz de reunir nostalgia, grandes trilhas sonoras e histórias dramáticas: as cinebiografias musicais. O movimento ganhou força recente com produções dedicadas a artistas que marcaram gerações e voltou a ganhar destaque com o anúncio de “Michael”, longa que retrata a trajetória do Rei do Pop.

Embora o gênero exista há décadas, o cenário mudou de forma significativa a partir de 2018. Naquele ano, “Bohemian Rhapsody”, que narra a história de Freddie Mercury e da banda Queen, tornou-se um fenômeno mundial. O filme arrecadou cerca de US$ 903 milhões nas bilheterias globais, consolidando-se como uma das cinebiografias mais lucrativas do cinema e demonstrando que histórias de grandes músicos poderiam atrair multidões às salas de exibição. A produção venceu quatro estatuetas do Oscar de 2019, incluindo Melhor Ator para Rami Malek.

Depois desse sucesso, os estúdios passaram a investir com mais frequência nesse tipo de produção. Filmes como “Rocketman”, centrado na carreira de Elton John, e “Elvis”, sobre Elvis Presley, reforçaram a tendência ao combinar drama biográfico com trilhas sonoras formadas por sucessos conhecidos do público. No circuito de premiações, o impacto também foi significativo: “Rocketman” venceu o Oscar de Melhor Canção Original com “(I’m Gonna) Love Me Again”, enquanto “Elvis” recebeu oito indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator para Austin Butler.

Além do potencial comercial, essas produções apresentam uma vantagem estratégica para os estúdios: partem de artistas que já possuem uma base de fãs consolidada. Isso significa que parte da audiência chega ao cinema com uma conexão emocional prévia com a história — e, principalmente, com as músicas. Para a indústria, esse fator ajuda a reduzir riscos financeiros e facilita campanhas de divulgação.

Outro elemento que contribui para o sucesso dessas obras é o famoso material dramático clichê das trajetórias retratadas. A vida de muitos músicos inclui ascensão meteórica, conflitos pessoais, escândalos e reinvenções artísticas. Esses elementos funcionam bem na narrativa cinematográfica e permitem explorar tanto os bastidores da fama quanto o impacto cultural das obras.

O resultado é uma sequência de projetos em desenvolvimento. Nos últimos anos, chegaram aos cinemas produções como “Bob Marley: One Love”, sobre Bob Marley, e “Back to Black”, dedicada à trajetória de Amy Winehouse. Outros projetos também estão em andamento, incluindo “Um Completo Desconhecido”, inspirado na vida de Bob Dylan — que também recebeu oito indicações ao Oscar, incluindo de Melhor Ator para Timothée Chalamet —, e “Springsteen: Salve-me do Desconhecido”, centrado em Bruce Springsteen.

É nesse contexto que surge “Michael”, dirigido por Antoine Fuqua. O longa pretende revisitar a trajetória de Michael Jackson, desde os tempos do The Jackson 5 até a consagração mundial com álbuns como “Thriller”.

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