Mulheres no esporte: histórias sobre conquistas e representatividade

Todos os dias, independentemente da idade, etnia, classe social e profissão, as mulheres são constantemente desafiadas a conquistar o seu lugar na sociedade. E essa realidade não poderia ser diferente no esporte. 

De acordo com o relatório Movimento é Vida, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a prática de exercícios físicos por mulheres no país é 40% inferior aos homens, sendo esse um indicativo de que o cenário esportivo ainda tem muita desigualdade de gênero.  

Por trás de diversos dados, existem histórias de mulheres reais que lutam para mostrar que são capazes de ocupar tais posições, como é o caso da atleta paralímpica de arremesso de dardos, Raissa Machado. 

Com apenas 24 anos, a profissional afirma que começou a conquistar o seu espaço muito nova, quando tinha 12 para 13 anos de idade. Inicialmente, a atleta conta que estava na seleção de jovens e, depois da idade mínima atingida, seguiu para a classificação adulta do esporte, na qual teve a oportunidade de participar das Paraolimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016. “Essa foi a competição que perdi para mim mesma. Eu fiquei em sexto lugar, não peguei medalha, mas perdi para o meu psicológico, porque fisicamente eu estava bem. Foi ali que eu percebi que eu realmente amava o esporte e que dali para frente, eu iria dar valor e me orgulhar de toda a minha trajetória", diz Raissa.   

Segundo a lançadora de dardo, o mundo do esporte precisa de mais mulheres se destacando e atuando, uma vez que a representatividade continua baixa. “Eu tenho fé de que esse cenário vai mudar. É muito importante, principalmente para nós atletas paralímpicos, mostrar para outros deficientes que eles também são capazes. Então, com certeza, ainda vão aparecer muitas mulheres no esporte que são muito guerreiras”, afirma a profissional. 

Outra história inspiradora é da jogadora de vôlei da Seleção Brasileira, Fabiana Claudino. A jovem de 36 anos iniciou sua trajetória no esporte aos 14 anos e, quando completou 19, já estava na base do time, disputando sua primeira olimpíada. “Acho que toda jogadora de qualquer modalidade esportiva sonha estar na seleção e representar seu país. Comigo até foi rápido. É o meu orgulho e foi na seleção que eu conquistei tudo que podia no esporte. É uma relação de muito amor!”, conta a atleta. 

Fabiana relata que sua profissão ainda possui muitos obstáculos e desafios no Brasil, principalmente quando se é mulher. “Olha, ser atleta no Brasil sempre é duro demais. O vôlei ainda tem alguma estrutura, base, centro de treinamentos, mas é tudo muito difícil. Aí vem a falta de patrocinador, de políticas públicas voltadas ao esporte e tantas coisas mais!”. A jogadora ainda completa: “Mulheres competentes nós temos, inteligentes e com muita vontade de ocupar os espaços que todas nós merecemos. Existem barreiras, muito machismo ainda, mas, aos poucos as coisas estão mudando”. 

Segundo ambas as esportistas, elas se consideram mulheres de múltiplas facetas e funções, uma vez que desempenham mais de um papel em suas vidas e em suas rotinas. “A gente trabalha, cuida muitas vezes da casa, da família, organiza a vida financeira, resolve problemas, toma decisões, gerencia a vida e ainda precisamos lidar com as situações desfavoráveis que a vida nos apresenta exatamente por sermos mulheres! Já nascemos multi!”, afirma Fabiana.

Leia mais: Mês da Mulher : Mulheres multi na área da educação

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