Em 2002, Halle Berry subiu no palco da 74ª edição do Oscar, organizado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, para ser a primeira mulher negra condecorada como Melhor Atriz na mais importante premiação do cinema por seu desempenho no filme “A Última Ceia”.
Profundamente emocionada, Berry discursou: “Esse momento é muito maior do que eu. Esse momento é para Dorothy Dandridge, Lena Horne, Diahann Carroll. É para as mulheres que estão ao meu lado, Jada Pinkett, Angela Bassett, Vivica Fox. E é para todas as mulheres negras, sem nome e sem rosto, que agora têm uma chance porque esta porta foi aberta esta noite.”
Em 2026, Halle Berry tem uma visão diferente dessa circunstância, considerando o fato de que, até o momento, nenhuma outra mulher negra venceu o prêmio novamente.
Em entrevista à revista The Cut, a atriz revelou que conversou com a colega Cynthia Erivo sobre a premiação, dizendo-lhe: “Você merece demais, mas não sei se isso vai mudar sua vida. Não pode ser a validação do que você faz, certo?”
Em adição, Berry afirmou que a honraria “não mudou o rumo” de sua carreira, reforçando que, mesmo após a vitória, ainda teve que enfrentar os desafios e limites persistentes da indústria:
“Não mudou necessariamente o rumo da minha carreira… Depois que ganhei, pensei que iria aparecer um caminhão cheio de roteiros na minha porta. Embora estivesse muito orgulhosa, na manhã seguinte eu ainda era negra. Os diretores continuavam dizendo: ‘Se colocarmos uma mulher negra nesse papel, o que isso significa para toda a história?’”
Essa percepção é compartilhada pela atriz quênio-mexicana Lupita Nyong’o, vencedora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por “12 Anos de Escravidão“. Em entrevista à CNN, ela relatou que, após a conquista do prêmio, a expectativa de receber papéis principais não se concretizou. Segundo a atriz, as propostas que surgiram nos meses seguintes repetiam estereótipos semelhantes ao de sua personagem premiada: “Depois que ganhei aquele Oscar, você imagina que virão papéis principais aqui e ali, mas o que eu ouvia era: ‘Lupita, gostaríamos que você fizesse outro filme em que você é uma escrava, só que desta vez em um navio negreiro’. Esse era o tipo de oferta que eu estava recebendo após a vitória”.
“Queria ser uma guerreira da alegria para mudar os paradigmas do que é ser africana. E, se isso significa que eu vou fazer um trabalho a menos por ano para garantir que eu não vou perpetuar os estereótipos que são esperados para as pessoas do meu continente, farei isso”, declarou, afirmando que recusou diversos papéis estereotípicos após sua vitória.
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