“O Drama” começa em uma cafeteria. Emma, personagem de Zendaya, está lendo um livro quando Charlie, vivido por Robert Pattinson, tenta reunir coragem para se aproximar e convidá-la para um encontro — ainda que de forma um pouco desajeitada.
Logo depois, o filme revela que essa cena aparentemente clichê de uma comédia romântica é, na verdade, uma lembrança. A narrativa retorna dois anos no tempo, enquanto Charlie escreve o discurso para o casamento dos dois, colocando em perspectiva o início da relação.
Por volta dos primeiros vinte minutos do novo longa do diretor norueguês Kristoffer Borgli (O Homem dos Teus Sonhos), o filme assume o tom de um romance cômico e despretensioso, apoiando-se, sobretudo, no charme irresistível de Zendaya e Robert Pattinson. Mostram-se os preparativos do casal para oficializar a união — entre ensaios da valsa, degustações do menu do casamento e lembranças que revisitavam a história que construíram juntos.
A atmosfera de romance leve, pensada para aquecer o coração, muda de rumo quando um dos protagonistas revela seu segredo mais sombrio para o outro. A partir daí, o longa passa a se desenvolver sob uma atmosfera de desconforto em constante ebulição.
A Alpha teve a oportunidade de assistir a “O Drama” antecipadamente, a convite da Diamond Films Brasil, e conta mais (sem spoilers, pode relaxar) sobre um dos filmes mais aguardados do ano!
O que achamos de “O Drama”?
Para melhor experiência do espectador, vamos omitir o que o filme oferece narrativamente a partir da revelação do “segredo”. Ainda assim, o maior destaque do longa não é seu roteiro, mas a maneira como ele é construído.
Os elementos técnicos do filme dialogam entre si quase como uma orquestra — sempre acompanhados pela precisão cênica e multicamadas de Pattinson e Zendaya. A edição de “O Drama”, assinada pelo diretor da produção e por Joshua Raymond Lee, funciona de forma brusca e precisa, manuseando a não linearidade da história, que trabalha tanto com saltos temporais quanto com a percepção mental de seus protagonistas (que não são narradores confiáveis). Durante o desenrolar dos acontecimentos, cortes de imagens que se passam na consciência dos personagens se entrelaçam à narrativa central, deixando o espectador hesitante sobre o que é fato e o que é imaginação.
Paralelamente, o filme trabalha de forma sofisticada a relação entre silêncio e trilha sonora nas composições do britânico Daniel Pemberton que, embora provocativas e perturbadoras, evitam arranjos multi-instrumentais grandiosos e se concentram sobretudo em instrumentos de sopro, estruturados em construções minimalistas e recorrentes. O som ambiente também é empregado de maneira estratégica na construção sonora do filme: sua intensidade cresce e diminui de forma precisa ao longo das cenas, assumindo papel narrativo relevante ao lado das composições de Pemberton.
“O Drama” se destaca entre os lançamentos recentes porque questiona mais do que responde — e tampouco parece interessado em oferecer respostas definitivas. A dramédia é moralmente ambígua e brinca com um desconforto sombrio que faz o público rir, mas se perguntar: “será que eu deveria estar rindo disso?”
A produção se desenrola quase como uma piada mal calibrada que parece nunca buscar a aprovação do espectador. Em vez disso, deleita-se no caos e na falta de pudor em se afastar das visões simplistas de preto no branco que tantas vezes dominam as grandes telas.
“O Drama” estreia nos cinemas nesta quinta-feira (9) em todo o Brasil.


