Vida longa ao rei da comédia

Quando se perde alguém como Jerry Lewis (1926-2017), jamais será o bastante compor listas com seus melhores filmes, ou citar feitos brilhantes em prol da cultura mundial. O ator americano nascido Joseph Levitch em Newark, Nova Jersey, é um dos raros ícones verdadeiros de nossa história – um definidor de estilos, muito imitado. Raramente igualado.

Atuação inesquecível

Desde seu começo ao lado de Dean Martin em 1949, Jerry dava sinais de que não seria por muito tempo o “escada” da dupla humorística. Sua atuação como coadjuvante em Artistas e Modelos, por exemplo, é uma das mais épicas e inovadoras do cinema. Na comédia de 1956, ele é Eugene, um aspirante a roteirista de quadrinhos que sofre com seus “pesadelos criativos”. De forma hilária, ele desperta no meio da noite, descrevendo as cenas do super-herói Vincent, o Abutre – tudo isso aos berros, e para desespero do colega Rick, interpretado por Dean Martin. Inesquecível.

Oscar é supérfluo

Como outros gigantes do cinema – entre eles, Alfred Hitchcock e Fred Astaire – Jerry Lewis nunca levou para casa um Oscar. Apesar da gafe, a grandeza do ator tem magnitude suficiente para ofuscar o erro histórico de Hollywood. Basta rever algumas de suas performances para compreender que aqui o prêmio tem importância supérflua.  Difícil também citar as mais divertidas, mas entre elas estão O Mensageiro Trapalhão (1960) – clara homenagem ao amigo Stan Laurel (da dupla O Gordo e o Magro); Bancando a Ama Seca (1958) (Jerry é obrigado a cuidar de trigêmeos recém-nascidos) e o clássico O Professor Aloprado (1963), que ganhou refilmagem com Eddy Murphy.

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Jerry Lewis era craque em fazer rir, mas sua história nas telas não se resume ao humorismo. Apesar de não ter sido abraçada pelos fãs, sua atuação em O Rei da Comédia (1982), de Martin Scorsese, é uma joia rara e item obrigatório na coleção de quem ama cinema. No filme, Lewis é o humorista Jerry Langford e maior ídolo do aspirante a stand up comedy Rupert Pupkin (Robert De Niro). Após ser ignorado pelo estafe de Jerry, Pupkin une-se à namorada para sequestrar o personagem de Lewis em troca de um lugar no horário nobre da TV americana.  O Rei da Comédia, é verdade, pode ser um dos mais obscuros filmes de Scorsese. Mas seu título define com maestria a história da inimitável carreira de Jerry Lewis.

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