A importância da amizade durante o isolamento social

A importância da amizade durante o isolamento social

A importância da amizade durante o isolamento social

Por: Vanessa Rabello 


Nesta segunda-feira é comemorado o Dia do Amigo e, mais do que nunca, neste momento de isolamento social, as amizades são ainda mais imprescindíveis na vida das pessoas.


Este laço é de suma importância na qualidade de vida, para o crescimento interno, para trocas emocionais como alegrias, conquistas, tristezas e decepções. Segundo Valéria Amódio, psicanalista da Poliniza Transformação Emocional, amigos são referências conhecidas, que ajudam e nos lembram quem somos, do que gostamos, o que permitimos e quais os nossos limites. “É pela amizade que conseguimos nos enxergar melhor, já que é uma relação vincular em que o interesse pelo outro é simples e genuíno”.  


Durante o isolamento social, a referência de realidade pode ser perdida, como se o indivíduo perdesse o chão e, são essas parcerias que trazem as referências, que provam quem somos, apesar da transformação diária deste momento e, que parte da vida, pelo menos a subjetiva, não mudou. 


Segundo a psicanalista, este vínculo tem sido um dos protagonistas neste momento na melhora do equilíbrio emocional. “Quando a relação é realmente estabelecida, é difícil se quebrar apenas com um distanciamento momentâneo. Porém, vale cuidar das relações e das pessoas que amamos e são importantes nas nossas vidas. Basta procurar saber como está, se colocar à disposição e, quando for possível, falarem por telefone, vídeo ou mensagens. Recursos não faltam”. 


Neste período, é importante também observar e explicar o valor das amizades para as crianças. Apresentar os princípios de confiança, respeito, o “dar e receber”, o afeto, são primordiais para explanar para os pequenos o valor de ter um amigo. Luciana Terciano, psicóloga e psicopedagoga, ressalta que esta mensagem ensina a criança como lidar com as emoções para um desenvolvimento saudável.


Por volta dos 2 anos de idade, a criança tem mais consciência de si e dos outros, aos 3 ou 4 anos, integra-se com outras crianças e a partir dos 5 anos, possuem maior interesse na interação com crianças, reciprocidade e começam a ter uma melhor modulação das emoções com as trocas. 


Durante o isolamento social, em que o convívio escolar foi rompido, o diálogo e a estimulação de contatos virtuais podem ser ferramentas de grande valia para que os vínculos não se percam. “Os pais podem buscar soluções através da criança, fazendo perguntas de como ela pode se sentir mais próxima dos amigos dentro das possibilidades da família. Esta conduta ajuda a fortalecer a confiança entre pais e filhos e a criança se sente vista e ouvida”, destacou a psicóloga.  


Luciana complementa ainda informando que o confinamento nos obriga a trazer a conexão interna e não é diferente com os pequenos. “Esta conexão, quando bem direcionada, pode ser muito enriquecedora, transmitindo a mensagem ‘eu me conheço e te conheço’”. 

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