MÊS DAS MÃES

Casal compartilha amamentação de gêmeos

Marcela e Melanie amamentaram Bernardo e Iolanda por dois anos

Por: Vanessa Rabello
13/05/2021 - São Paulo

Casal compartilha amamentação de gêmeos

Desde que se conheceram, em 2013, a produtora cultural, Melanie Jeanne Graile e a escritora Marcela Rebelo Tiboni sabiam que ter filhos faria parte da história do casal. Anos depois, em 2017, ambas sentiram que era chegado o momento de se tornarem mães.


Marcela conta que, depois de muita conversa com Melanie sobre esta nova etapa na vida do casal, ela percebeu que tinha muita vontade de ser mãe, mas que não tinha nenhuma vontade de engravidar. “Faltou referência durante a minha infância e adolescência de casais como a gente, de outros casais em que duas mães fossem as figuras que poderiam gestar e por outros motivos, optassem ou não pela gestação. Sempre vi relações heteronormativas onde a mulher que tinha que engravidar e pronto. Meu desejo por engravidar era nenhum, mas em ser mãe era total”, relata a escritora.


A partir desta conclusão do casal, a decisão foi simples, Melanie iria engravidar. Para tanto, ambas foram a uma clínica para verificarem a melhor forma de realizarem o sonho. Marcela conta que, a princípio, seria feita uma inseminação, mas como a esposa queria doar seus óvulos para ajudar outros casais, era necessário fazer uma fertilização, que foi o método que elas acabaram optando. “A gente teve só dois óvulos, que geraram dois embriões e que foram implantados juntos e deram certo na primeira tentativa”, conta Marcela.


Durante a gestação dos gêmeos Bernardo e Iolanda, Marcela foi atrás de informações para poder amamentar os filhos. O casal se deparou com muita desinformação sobre a indução à lactação, então foi em busca de informações na internet, onde conheceram um casal que haviam passado pela mesma situação e que hoje se tornaram amigas. Além disto, conheceram a obstetra Ana Thais Vargas e a consultora de amamentação, Kely Carvalho, que ajudaram durante o processo.


“Eu usei a bomba de tirar leite por muito tempo, também tomei um medicamento que um dos efeitos colaterais era a produção da prolactina, mas, quando a Mel estava grávida de 7 meses, eu já estava produzindo as primeiras gotas de leite e, quando eles nasceram, eu já tinha meio litro de leite congelado”, diz a escritora.


Ambas puderam amamentar os filhos até os dois anos de idade e a parceria teve início desde a sala de parto. “Nunca dividimos, deixávamos para quem estava mais perto amamentar. À noite, a gente às vezes fazia por turno. Nós duas amamentamos o Bernardo e a Iolanda de acordo com a necessidade”.


Segundo a Fonoaudióloga e Consultora Internacional de Amamentação, Kely Carvalho, a indução à lactação é um processo fisiológico do qual a produção de leite não tem a ver com o pós-parto imediato. Mulheres que serão mães via adoção, útero solidário ou de substituição podem se beneficiar da indução.


Kely foi quem ajudou Marcela, que a procurou em uma rede social quando a esposa Mel estava grávida dos gêmeos. “Apesar de trabalhar com amamentação desde 2005, nunca tinha feito o trabalho com indução à lactação. Com muito estudo, dedicação e com a ajuda da obstetra com o auxílio nas medicações, o nosso trabalho com a Marcela deu super certo”.


Segundo a consultora, após o sucesso com o tratamento da escritora, a procura pela indução à lactação aumentou e já atende mais de 50 famílias. “É importante dizer que essa é uma prática possível, trabalhosa, mas possível, o protocolo é “relativamente simples” e que o ideal é que tenha início seis meses antes do bebê nascer, mas não é um bicho de sete cabeças”. Kely ainda destaca que esta é uma decisão que depende única e exclusivamente da família envolvida.


Dupla Maternidade



Marcela conta que o registro de Bernardo e Iolanda foi relativamente tranquilo, que não teve nenhum problema para obter a certidão de nascimento e o RG com nome de ambas as mães, mas, que no ano passado, ao acionar o CPF das crianças pela internet encontrou problemas.


Ao preencher os dados solicitados e com o seu próprio nome como mãe dos filhos, apareceu a notificação que o nome não condizia como a mãe de Bernardo e Iolanda, e quando preencheu com o nome de sua esposa, conseguiu concluir a solicitação. “Eu descobri da forma mais dolorosa que para a Receita Federal, o maior banco de dados deste país, eu não sou mãe dos meus filhos”, relata.


Segundo Marcela, agora ela segue na luta através de posts e a mídia para que esse problema seja resolvido. Ela acrescenta informando que a situação virou um processo, e se tornou uma ação com pessoas famosas envolvidas endossando a questão. “O processo, segundo o corpo de juristas, deve durar cerca de oito anos”, destacou.


A escritora conta que escreveu um livro em que relata sobre a sua jornada da dupla maternidade, como é ser mãe, uma gestante e qual foi o processo de dupla amamentação, chamado “Mama: um relato de maternidade homoafetiva”. “Eu diria para as pessoas para acreditem que vai dar certo, as leis estão do nosso lado, a sociedade está se transformando, e vai ficar cada vez mais fácil, mais acolhedor, para que a gente siga junto e se fortaleça para que o mundo seja um lugar mais diverso”.

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