WELLNESS

Dia do Enfermeiro celebra profissionais da linha de frente

Data é comemorada nesta quarta-feira (12)

Por: Larissa Martin
12/05/2021 - São Paulo

Dia do Enfermeiro celebra profissionais da linha de frente

Do último ano para cá, o mundo vive em pandemia. A rotina de diversas ocupações foi completamente alterada, para menos ou mais trabalho. Exemplo disso é a enfermagem, que desde o aumento no número das internações pela Covid-19, não pára um minuto sequer, ao redor de todo o mundo. Os profissionais da linha de frente se adaptam a novas rotinas de trabalho, priorizando salvar vidas. 


A enfermeira Mayara de Lima diz que é perceptível a mudança no clima dos hospitais antes e depois da Covid-19. No ano passado, quando tudo começou, Mayara trabalhava na UTI Pediátrica e Pediatria no Hospital Geral de Guarulhos. Segundo ela, quando tudo eclodiu, estávamos em um período sazonal, quando é comum o aumento da demanda de crianças com problemas respiratórios nos hospitais. Porém, o que aconteceu foi o contrário. “A pediatria esvaziou. De 35 pacientes que estávamos acostumados, eu tinha seis, quando muito, dez”, conta. Há um ano atrás, no entanto, a medicina sabia pouco sobre o coronavírus em crianças. “O grande problema da pediatria foi justamente o período sazonal. Mesmo com a demanda muito menor, como saber o que era uma Bronquiolite e o que era Covid?”, acrescenta. 


Rotina 


Atualmente, Mayara atua na UTI Covid do Hospital e Maternidade São Cristóvão, na Mooca, e conta que, entre 2020 e 2021, a rotina hospitalar mudou drasticamente. “Paciente entubado é o novo normal pra mim. Se parar para contar quantos pacientes eu perdi em mais de três anos de pediatria, e quantos eu perdi em seis meses de Covid… é muito triste perceber que perdi facilmente mais que o triplo de vidas agora. Travar essa luta com o covid é extremamente exaustivo”, desabafa. 


Para a enfermeira Geovana Aguilera, a situação não é diferente. Atuando no Hospital Estadual Vila Alpina, ela conta que o local se organizou para abertura de novos leitos, além da mudança de setores de andar, para que fizessem novas UTIs de Covid-19. “A rotina ficou sobrecarregada para todos os funcionários do hospital”, conta. Além disso, segundo ela, o dia a dia de um enfermeiro, hoje, é muito mais cautelosa, rígida e com maiores cuidados em relação à proteção individual. “Sempre temos treinamentos novos sobre lavagem das mãos, paramentação e desparamentação, além de outros tipos de treinamentos, como medicação, flebite, cuidados com pacientes em Oxigenoterapia”. 


Assim como Geovana e Mayara, o enfermeiro Lincon Oliveira se desdobra na rotina hospitalar. Além de trabalhar no Pronto Socorro do Hospital Santa Paula, na zona Sul de São Paulo, ele administra em paralelo a sua empresa de gestão de serviços na área da saúde. Segundo ele, os dias são corridos, se organizando entre os plantões noturnos e administração do seu negócio. “Hoje, o hospital não é a minha fonte principal de renda, eu estou trabalhando lá por uma paixão muito grande mesmo, então está dando para conciliar com a empresa. É cansativo? sim, fisicamente é muito. Mas emocionalmente, eu tenho um ganho muito grande, assim como todos os profissionais da saúde com essas questões”, conta. 


Outra coisa que mudou, do ano passado para este, é a quantidade de informações que as equipes de saúde já possuem sobre a doença. No começo da pandemia, todos sabiam pouco sobre como cuidar e agir em cada caso novo no hospital. “Hoje percebo que sabemos muito mais. Tudo já está até ‘mecânico’. A gente entende o que esperar só de saber há quantos dias o paciente testou positivo para a Covid-19”, conta Mayara. “No começo, só usava máscara quem estava doente. Hoje, não consigo mais me imaginar atendendo alguém sem máscara. Maluco isso, não é?”. 


“A gente não fazia ideia de como seria um processo desses. A gente vai acima do medo, acima do receio de contrair a doença, de levar essa doença para casa, mas mesmo assim, a dinâmica de atendimento, de acolhimento, de resolutividade não mudou”, completa Lincoln. 


Enfermagem por amor


Na época em que fazia cursinho preparatório para o vestibular, Mayara cogitava tentar ingressar na faculdade de Medicina. Até que, conversando com um professor, descobriu que o que procurava, na verdade, encontraria na Enfermagem. “Queria acompanhar a evolução do meu paciente, estar presente em todo o processo. E isso só seria possível na Enfermagem. Meu professor me fez ver que o ‘cuidar’ que eu queria, não encontraria na medicina”. 


Apaixonada pelo o que faz, ela diz que lembra até hoje do primeiro paciente que atendeu com suspeita da Covid-19. “Me marcou demais, pois naquele momento ainda não usávamos máscara o tempo todo. Parece burrice, eu sei, mas no começo foi assim”, diz. O bebê, de 9 meses, tinha síndrome de down e quando deu entrada na UTI foi diagnosticado com Bronquiolite, o que é comum na pediatria. “Morri de dó e fiz algo que era muito comum para mim. Peguei o pequeno no colo, ninei, fiz dormir e coloquei de volta no leito. Saí do hospital com a sensação de dever cumprido”. 


Já Geovana conta que, no caso dela, foi a enfermagem que a escolheu. “Eu sempre gostei muito da arte de cuidar, de humanizar, ter contato direto com o paciente, estar sempre por perto, tanto fisicamente quanto mentalmente”, diz. 


Ao entrar na enfermagem “por acaso”, Lincoln não se arrepende um minuto sequer pela decisão. Para ele, não há sentimento maior que conseguir ver que colaborou para salvar a vida de alguém. “Ser enfermeiro é isso, a gente atua, se doa para um outro ser humano que está precisando totalmente da nossa responsabilidade, do nosso dinamismo, do nosso conhecimento... O resultado é vermos um paciente vindo de alta. Independente da Covid ou não, acho que todo profissional de enfermagem tem esse mesmo sentimento”. 


Chegada da Covid-19 


“É muito tenso e desafiador. Perdi as contas de quantas vezes pensei em desistir. Quando fiz faculdade, nunca passou pela minha cabeça que um dia eu estaria nessa situação”, desabafa Mayara sobre a pandemia. “Passo meu plantão inteiro tensa em relação aos meus pacientes. Não sei nem descrever o que é ver alguém implorando por ar”, completa. Além disso, segundo Mayara, ao conversar com seus colegas de profissão, descobre que o sentimento é o mesmo entre todos, de preocupação e medo de se contaminar e passar para outras pessoas da família. “Para os amigos e família eu me tornei aquela pessoa alarmista, que só sabe falar em Covid, mas o que eles não entendem é que o meu maior medo é vê-los na mesma situação dos pacientes que eu cuido”, conta. 


Mayara relembra o primeiro caso positivo que atendeu e que, infelizmente, não sobreviveu. Era uma menina de seis anos, com síndrome de down. “Fizemos tudo que era possível, os médicos, fisioterapeutas e a equipe de enfermagem foram impecáveis, sem nenhuma dúvida. Mas, infelizmente, perdemos essa batalha. Nunca vou esquecer dela e da mãe”. 


No entanto, a emoção de curar um paciente é como a sensação de dever cumprido, segundo Mayara. Alguns deles, inclusive, até presenteiam a equipe, como uma forma de agradecer. “Guardo com muito carinho cada cartinha e presentes que recebi dos meus pacientes. Eles me deram muita força nos últimos meses. Na hora da alta eu sempre brinco ‘foi um prazer cuidar de você, mas não volte mais’”, brinca. Lincoln conta sobre a mesma realização, em poder ajudar alguém com todo o seu conhecimento. “Conseguir promover a saúde para um outro ser humano, que você nunca viu, que você não conhece, e que você está ali para se dedicar para ele, para tudo que ele precisar, ainda mais agora com a Covid, fazendo parte do contexto da vida de uma pessoa”, fala. 


Geovana também comemora sobre a felicidade que é dar alta aos pacientes. “É muito gratificante, um sentimento que não dá pra expressar em palavras e eu até me emociono só de pensar nisso. Não tem preço, nada vai pagar a satisfação de ver pacientes e familiares recuperados”, diz. 


Reconhecimento da linha de frente


Durante esse momento sensível em que estamos vivendo, o profissional de enfermagem está sendo mais visto e valorizado pela sociedade. O pedido de quem está na linha de frente, no entanto, é que isso continue mesmo após a pandemia. “A enfermagem no Brasil precisa, deve e necessita receber um reconhecimento digno. Nós já fazemos por amor, por paixão. Mas, o retorno, tem que ser no mesmo nível, na mesma condição”, desabafa Lincoln. 


“Esse momento está precisando de um caminho que seja traçado de uma forma objetiva, de um ambiente mais caloroso, que acolha tanto o paciente quanto os familiares e que as pessoas consigam ver o dinamismo, carinho e amor do profissional de saúde. Independente da situação. Acredito que todo mundo que trabalha hoje, que se dedica, que sai da sua casa, plantão noturno, plantão diurno, 12h, 24h... todo mundo faz isso por amor. O que eu espero é que a enfermagem consiga ter, de algum modo, seu reconhecimento, seu devido retorno, por conta da sua dedicação”, completa.

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