Mafalda Minnozzi homenageia Brasil em álbum “Sensorial”

Italiana conta sobre suas influências da MPB e produção do novo disco

Mafalda Minnozzi homenageia Brasil em álbum “Sensorial”

Por: Larissa Martin 


A cantora e compositora Mafalda Minnozzi lançou recentemente o mais novo trabalho, o álbum Sensorial - Portraits in Bossa & Jazz. Com direção musical do guitarrista Paul Ricci, o disco reinventa o songbook brasileiro, inserindo a dinâmica metropolitana do som de Nova York em uma mistura de bossa e jazz. 


Mafalda, italiana nascida em Pavia, consolidou sua carreira no Brasil no ano de 1996, quando o diretor artístico do Paradiso, no Rio de Janeiro, convidou-a para se apresentar em uma série de shows no famoso clube carioca. Ao assinar com uma gravadora brasileira, nunca mais deixou de fora da agenda de shows o país tropical.  


Tendo uma forte relação de amor com a cultura brasileira desde que teve seu primeiro contato no final da década de 70, a artista conta que não poderia deixar de homenagear o Brasil no novo trabalho. "Morei no Brasil, gravei aqui vários CDs, tive muitas experiências e importantes colaborações ao longo destes 25 anos e continuo tendo. Sou uma italiana eternamente apaixonada pela cultura musical desse país incrível. Então, as abordagens dos arranjos e a escolha das músicas representam a busca de um som que estava na minha cabeça e que nunca tinha ouvido antes: uma mescla de música brasileira, espírito romântico, e a beleza encantadora da Bossa Nova e do Samba", conta.  


Em Sensorial, a artista diz que conseguiu se entregar e colocar no álbum uma vida inteira de estrada. "Adoraria sentar ao lado de Jobim para saber quais seriam as suas impressões ouvindo o álbum", brinca. O processo do trabalho foi muito detalhado e longo, por ser uma extensão dos três álbuns do projeto Empathia Jazz Duo, em parceria com o guitarrista Paul Ricci. "Produzimos esses três [álbuns] em quatro anos, de 2016 a 2019, mergulhando profundamente no que podíamos explorar nesse formato intimista, e chegou um momento em que ambos sentimos que éramos capazes de projetar essa linguagem em outros formatos, como aconteceu no Sensorial", explica.  


Sem querer fazer um trabalho que não soasse como covers de músicas icônicas brasileiras, a vontade da artista era trazer uma abordagem exclusiva e individual para os arranjos com a ideia de provocar os outros músicos e ouvintes. "Enquanto eu e Paul estávamos nos apresentando em Nova York,  reunimos os músicos e reservamos duas tardes em um prestigioso estúdio da cidade para gravar as 13 músicas e os respectivos vídeos. Foram apenas duas tardes, mas o processo de projeção e arquitetura do álbum durou 5 anos e a sensação que eu tenho é que desejei por 20 anos de gravar este disco".  


Comemorando 35 anos de carreira e com a maior parte dela desenvolvida no exterior, a artista diz que foi fundamental a escolha dos artistas convidados para participar do projeto, porque sua vivência no Brasil é grande, assim como o seu conhecimento com o jazz e os músicos de Nova York. O projeto conta com o  pianista Art Hirahara, os contrabaixistas Essiet Okon Essiet e Harvie S, o baterista Victor Jones e os percussionistas Will Calhoun e Rogério Boccato ao lado da italiana e do arranjador Paul Ricci. "O imenso amor que os grandes jazzistas que convidei têm pela música brasileira é tanto, que todos aceitaram na hora de participar deste projeto".  


Para ela, cada um contribuiu com as suas próprias experiências na hora de adaptar o som intimista do duo (Mafalda e Paul Ricci) à banda. "Foi tudo muito natural graças a grande musicalidade deles. A peça chave foi o pianista Art Hirahara, que já tocou conosco em turnê, na Itália principalmente. Importante também a presença do músico paulistano Rogério Boccato nas percussões, que mora em NY há mais de 20 anos e fez bastante shows comigo. Will Calhoun, que fez uma participação especial na música “Samba da Benção”, trouxe sua história musical ligada à música africana. O baterista Victor Jones, os baixistas Harvie S e Essiet Okon Essiet também trouxeram a grande sabedoria deles e suas experiências de palco acompanhando muitos artistas do mundo do jazz", completa. 


Admiradora da MPB, a artista conta sobre os artistas brasileiros que gostaria de cantar junto e garante que está pronta para qualquer tipo de experiência musical rica de conteúdo. "Adoraria fazer um belo dueto com João Donato ou com Roberto Menescal... Iria amar também dividir o palco com Maria Gadú, que admiro tanto. Poderia fazer uma lista imensa, porque também há realidades folclóricas belíssimas no Nordeste e no Sul do Brasil".  


Enquanto os shows presenciais não retornam, Mafalda vem fazendo várias lives com participações especiais de, inclusive, ícones da música brasileira. "Participei de uma belíssima live com a participação de Alcione, Simoninha, Erasmo Carlos e Seu Jorge. Mas, nada se compara ao reencontro tão desejado com nosso público", conta. 


No próximo dia 29, a artista fará mais uma apresentação virtual especial. Para conferir, acesse o canal no Youtube da cantora, a partir das 18h. Enquanto o dia da live não chega, confira abaixo de como foi o Sensorial Birthday, apresentação de comemoração do álbum, no Studio Arsis em São Paulo: