A ideia de uma “alimentação anti-inflamatória” tem ganhado espaço em consultórios, redes sociais e estudos científicos. Mas, do ponto de vista da ciência, esse conceito existe de fato? A resposta é sim, com ressalvas. Não se trata de uma dieta milagrosa capaz de eliminar processos inflamatórios sozinha, mas de um padrão alimentar associado à redução de inflamações crônicas de baixo grau, que estão ligadas a doenças como diabetes tipo 2, obesidade, doenças cardiovasculares e algumas condições autoimunes.
A inflamação é uma resposta natural do organismo a agressões, infecções ou lesões. O problema surge quando ela se torna crônica, persistindo mesmo sem uma ameaça real. Evidências científicas indicam que a alimentação exerce papel importante nesse processo, podendo tanto favorecer quanto atenuar esse tipo de inflamação.
Diversos estudos observacionais e ensaios clínicos associam padrões alimentares ricos em alimentos in natura ou minimamente processados a menores níveis de marcadores inflamatórios, como a proteína C-reativa (PCR), interleucina-6 (IL-6) e TNF-alfa. Dietas inspiradas no padrão mediterrâneo, por exemplo, apresentam resultados consistentes nesse sentido. Esse padrão prioriza frutas, verduras, legumes, grãos integrais, azeite de oliva, oleaginosas, peixes e consumo moderado de carnes magras.

Por outro lado, dietas ricas em ultraprocessados, açúcares adicionados, gorduras trans, excesso de gorduras saturadas e bebidas açucaradas estão associadas a um aumento da inflamação sistêmica. Esses alimentos podem estimular respostas inflamatórias por diferentes mecanismos, incluindo alterações na microbiota intestinal, resistência à insulina e estresse oxidativo.
Entre os componentes alimentares mais estudados com potencial efeito anti-inflamatório estão os ácidos graxos ômega-3, presentes em peixes como sardinha e salmão; os polifenóis, encontrados em frutas vermelhas, chá verde, cacau e azeite; e as fibras alimentares, que contribuem para a saúde intestinal e modulam a resposta inflamatória. Ainda assim, especialistas ressaltam que nenhum alimento isolado é capaz de exercer esse efeito sozinho.
Organizações de saúde, como a Organização Mundial da Saúde, não utilizam oficialmente o termo “dieta anti-inflamatória”, mas recomendam padrões alimentares que coincidem com esse conceito, baseados em alimentos naturais, variedade nutricional e baixo consumo de produtos ultraprocessados.
Em resumo, a alimentação anti-inflamatória existe enquanto estratégia alimentar baseada em evidências, mas deve ser compreendida como parte de um conjunto de hábitos saudáveis. Atividade física regular, sono adequado, controle do estresse e acompanhamento profissional são fatores igualmente determinantes para o controle da inflamação no organismo.


