A convite da produção do Lollapalooza Brasil, a Alpha FM acompanhou, nesta quarta-feira (18), uma imersão nos bastidores do festival no Autódromo de Interlagos. O encontro contou com uma coletiva de imprensa com Luiz Justo, CEO da Rock World, e Marcelo Beraldo, diretor artístico da C3 Presents no Brasil, que detalharam a complexa engenharia por trás do line-up da 13ª edição brasileira.
Mais de 30 anos após o megaevento surgir inicialmente como turnê de despedida da banda Jane’s Addiction, o projeto se transformou. Em 2011, ganhou sua primeira edição fora dos Estados Unidos, no Chile, e, no ano seguinte, chegou ao Brasil, onde rapidamente conquistou o público. As duas primeiras edições aconteceram no Jockey Club de São Paulo; desde então, o evento passou a ocupar o Autódromo de Interlagos.

Para a organização, o festival funciona como um exercício preditivo: o desafio é identificar hoje quem será o fenômeno de amanhã. Luiz Justo explica que a curadoria opera com uma “visão de futuro”, buscando antecipar tendências. “O Lolla é muito sobre esse olhar de curadoria que pega a tendência, que traz e apresenta não só quem estava para estourar no período de negociação, mas também muita coisa nova que será tendência”, afirma.
Esse processo, no entanto, está longe de ser localizado. A seleção envolve equipes de diferentes países e acontece de forma contínua. “A gente faz de dois a três calls por semana”, conta Marcelo Beraldo. “Tem Brasil, Argentina, Chile, Estados Unidos. É um processo criativo intenso, às vezes caótico, mas essa diversidade de ideias é justamente a riqueza do Lollapalooza.” Segundo ele, o planejamento também é de longo prazo: “a gente já está olhando para 2027, 2028”.
A mistura de gêneros não é aleatória, mas uma estratégia deliberada. Ancorado nos pilares rock, pop, rap e música eletrônica, ainda que atravessados por inúmeros cruzamentos, o evento busca reunir diferentes públicos. “A diversidade do line-up é um reflexo da diversidade de ideias da equipe”, resume Beraldo.
Essa lógica também posiciona o Lollapalooza como uma porta de entrada para o mercado da América Latina. Nesta edição, 15 artistas se apresentam pela primeira vez no Brasil, entre nomes em ascensão e atrações já consolidadas internacionalmente.
Importância para o mercado nacional
Nesse contexto, o evento ainda se consolida como espaço de desenvolvimento para artistas nacionais. Beraldo define o papel do festival como “quase uma categoria de base de artistas brasileiros”, ao explicar que o line-up utiliza o apelo de nomes internacionais para impulsionar carreiras em ascensão. O impacto, segundo ele, é imediato, e, às vezes, inesperado: “muitos acham que é trote quando a gente liga. Eles perguntam: ‘você está brincando? Como é que vocês acharam a gente?’”.
Um exemplo emblemático dessa aposta é o projeto “Foto em Grupo”, que reúne integrantes de diferentes bandas: Ana Caetano, da dupla Anavitória; João Ferreira, da Daparte; e Pedro Calais e Zani, do Lagum. A iniciativa foi anunciada como parte do repertório dessa edição antes mesmo de ter material lançado. Quando o empresário Felipe Simas apresentou três faixas já produzidas a Beraldo, o conjunto ainda não havia definido sequer o nome. “A gente lançou antes da banda existir”, conta o curador, destacando a proposta de antecipar movimentos e gerar curiosidade no público.
Essa organização também se reflete na forma como as apresentações são distribuídas ao longo dos dias. Em alguns casos, a programação cria verdadeiros “mini-festivais dentro do festival”, como define Beraldo, com blocos que agrupam sonoridades semelhantes em determinados palcos ao longo do dia.
Mulheres no Lollapalooza Brasil
Outro destaque desta edição é a forte presença feminina no line-up. Quem chama atenção para esse movimento é Ana Deccache, diretora de marketing da Rock World, ao destacar a presença de artistas como Sabrina Carpenter, Doechii, Marina e Katseye em posições de destaque. “Tem muita mulher em momentos incríveis de carreira”, afirma. Segundo ela, essa configuração acompanha uma transformação mais ampla da indústria musical, e também se reflete nos bastidores do festival, tema sobre o qual a executiva adiantou alguns aspectos logísticos.
“Festivais dentro do festival”
Nos bastidores, essa diversidade se traduz em desafios operacionais e até curiosidades. Um dos exemplos é o Palco Perry, dedicado à música eletrônica e descrito tanto por Justo quanto por Beraldo como um “festival dentro do festival”. Entre as atrações, está o ex-astro da NBA Shaquille O’Neal, que se apresenta como DJ Diesel, e cuja presença trouxe até detalhes inusitados de bastidor, como a necessidade de adaptar o camarim aos seus imponentes 2,16m de altura.
A curadoria também aposta em combinações pouco óbvias, que vão do reggae de Edson Gomes a performances grandiosas como a de Kygo, e assume como parte da experiência aquilo que muitos consideram um problema: os conflitos de horário entre shows. “A sensação é que você perdeu mais coisa do que viu, e é isso que faz as pessoas quererem voltar no ano seguinte”, relembra Beraldo, ao citar uma experiência que teve no festival original em Chicago em 2011.
Para além das atrações individuais, a organização aposta na força do conjunto. “Você pode chegar meio-dia e ir embora meia-noite vendo só show bom, andando de palco em palco”, resume Beraldo. A lógica se reflete também no comportamento do público: cerca de um terço dos ingressos vendidos corresponde ao “Lolla Pass”, modalidade que garante acesso aos três dias de evento. O número indica que muitos frequentadores compram a experiência completa antes mesmo de escolher atrações específicas.
Ainda durante a coletiva, o CMO do Bradesco Renato Camargo adiantou detalhes sobre o pacote Lolla Lovers, que abrirá suas vendas para a edição de 2027 já na próxima terça-feira (24).
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