O Foo Fighters está prestes a lançar o seu 12º álbum de estúdio. Chamado “Your Favorite Toy”, o disco é o primeiro com o baterista Ilan Rubin, que chegou em setembro do ano passado, e o sucessor de “But Here We Are” (2023), o primeiro trabalho lançado após a morte de Taylor Hawkins.
Veja o que esperar do projeto, que chega nesta sexta-feira (24), abaixo:
Gravação caseira e mais rápida
De acordo com comunicado, o disco foi gravado de maneira caseira. A própria banda ficou encarregada da produção ao lado de Oliver Roman, enquanto que Oliver também assinou a engenharia de som e Mark “Spike” Stent a mixagem.
Para Dave Grohl, tal tipo de gravação influenciou diretamente no resultado final: “Fazer isso na garagem certamente resulta em um tipo diferente de disco. Você decide que as músicas serão curtas e diretas, sem entrar em composições detalhadas, nem em engenharia ou produção complexas. Muitas das demos eram um pouco mais próximas de um fusion metal ou algo assim. Acabaram ficando elaboradas demais. Então a ideia era realmente fazer tudo de forma rápida”, declarou ao Irish Times. Rubin gravou suas partes em sete dias e todo o processo de gravação foi concluído em quatro semanas.
Nas palavras do guitarrista Chris Shiflett ao The Guardian, “os últimos discos são muito mais produzidos, muito mais lapidados e este não foi nada disso. Usamos os amplificadores que estavam à mão, os pedais disponíveis, e não ficamos presos à paralisia de escolha.”
Composições pessoais
Ao Irish Times, Grohl revelou que as composições do disco são bem pessoais e que “não há muita ficção”. Citando a perda de Hawkins, ele explicou:
“Depois de perder o Taylor, sou muito grato por termos a música para nos ajudar a seguir vivendo. Eu dependo disso como uma forma de terapia, além da terapia que já faço. Eu realmente dependo disso. Há momentos em que escrevo algo que tenho dificuldade de dizer em uma conversa, e o resultado final é algo real que você acaba cantando todas as noites. Às vezes, é bom simplesmente gritar essas coisas, sabe? Não há muita ficção neste álbum.”
Conforme o vocalista e guitarrista, cada álbum do Foo Fighters representa um período específico de suas vidas, e houve muita catarse durante a produção de “But Here We Are”. “É curioso, porque consigo mapear minha vida emocionalmente pelo ciclo de três anos de cada álbum: onde está sua cabeça, onde está seu coração. Você realmente nunca sabe o que está por vir, tanto na vida quanto na música”, concluiu.
Ao The Guardian, o líder ainda completou: “Acho que as músicas dizem muito, talvez mais do que eu consigo dizer agora.”
Sonoridade
“Your Favorite Toy” é, nas palavras de Grohl à Apple Music, é “barulhento, pesado, mais acelerado, como nos velhos tempos”. “Havia outras coisas que soavam como ‘Presence’ (1976), do Led Zeppelin, e também havia músicas mais suaves, com uma pegada acústica. Mas eu estava ouvindo essa playlist, com essas dez [faixas] em sequência, e pensei: é esse o disco.”
Referências e inspirações
Algumas das referências já reveladas do projeto:
- “Of All People” foi escrita depois que Dave reencontrou um fornecedor de substâncias ilícitas que conheceu nos anos 1990. “Eu não o via há 30 anos e ele está vivo, saudável e sóbrio. Fiquei muito feliz por essa pessoa ter sobrevivido, ao mesmo tempo em que fiquei devastado, por causa de todas as pessoas que conheço e que perdemos”, explicou.
- “Window” é inspirada pela paixão de Harper Grohl, filha do meio do cantor, pelos The Breeders. “Criei um riff que considerei parecido com uma música do The Breeders, e ela participou [da gravação]. Essa música muda um pouco o tom do álbum por alguns minutos”.
- “Your Favorite Toy” mostra basicamente, segundo Grohl, “um lado de você gritando com o outro: é como se eu estivesse provocando a mim mesmo por todas aquelas coisas que precisavam ser analisadas”.
- “Child Actor” traz um confronto direto com a necessidade do artista de validação. “É como um fantasma faminto, um monstro insaciável que você tenta preencher o tempo todo. Mas, se você realmente parar para ficar consigo mesmo e considerar humildade, gratidão e empatia… pode eliminar todo o resto e encontrar aquilo que realmente importa. Só que isso exige desligar o mundo e se permitir ficar em silêncio consigo mesmo.”
- Já em “Spit Shine”, Grohl tenta “lidar com uma forma mais saudável de ambição”. “Não apenas ambição no sentido de carreira, mas ambição na vida. Eu sei o que venho fazendo, mas qual é o horizonte? Qual é a Estrela do Norte que estou seguindo para chegar lá? E por quanto tempo ainda tenho para fazer isso?”


