Em outubro de 2025, o The Who encerrou a “The Song Is Over Tour“, turnê que marcou a despedida da banda dos palcos e estúdios. Contudo, o frontman não encarou isso como o fim de sua própria carreira – pelo contrário. A agenda futura de shows solo de Roger Daltrey conta com mais datas que a própria “The Song Is Over” teve no ano passado.
Em entrevista à Rolling Stone, o vocalista explicou o motivo dessa discrepância, declarando que as turnê pelo The Who eram “muito exigentes”. “O The Who é muito mais barulhento do que a banda com a qual toco em carreira solo, é fisicamente exaustivo“, ele começou.
Complementando, disse: “Consigo fazer dois shows seguidos com minha banda solo tranquilamente. Com o The Who, isso só é possível quando tenho três dias de folga depois do segundo show, porque exige muito da minha voz. Preciso me esforçar muito mais para me destacar em meio ao barulho do The Who. Pete [Townshend] é um guitarrista incrivelmente barulhento. Adoro o que ele toca e adoro o som alto, mas exige muito mais esforço vocal para me destacar.”
Sobre as novas experiências que tem adquirido em carreira solo, Daltrey destacou a possibilidade de explorar mais de sua voz: “Sinto que devo usar minha voz enquanto a tenho. No momento, ela provavelmente está melhor do que em toda a minha vida. É extraordinário. Continuo cantando as músicas nos mesmos tons; só que parece que estou alcançando as notas com mais facilidade.”
Sobretudo, Roger sabe que o The Who não acabou completamente. Provavelmente, deve sair no ano que vem mais datas pela turnê de despedida da banda, passando por outros continentes. Além disso, o cantor expressou o desejo de voltar mais uma vez ao estúdio com os demais membros:
“Bem, eu gostaria de fazer outro álbum, mas não sei se será possível. Gostaria de fazer um álbum em que nos envolvessemos mais nos arranjos. Em retrospectiva, em parte porque as demos do Pete eram tão boas, acho que um dos maiores erros que cometemos na nossa carreira foi tentar copiar as demos dele. E muitas vezes pensei que poderiam ter sido álbuns ainda melhores se tivéssemos sido mais abertos à exploração, em vez de tentar recriá-lo no estúdio dele. A única coisa que realmente muda é o vocal, porque eu mudo as melodias principais o tempo todo.”
Roger Daltrey afirma que The Who “foi a primeira banda de heavy metal”.
Ao contrário de Paul McCartney, que se esquivou de décadas para responder se considera os Beatles como a “maior banda de todos os tempos”, Roger Daltrey reconheceu a influência do The Who, afirmando que o grupo foi “a maior banda de heavy metal“.
A declaração também veio durante entrevista com a Rolling Stone, citando uma fala de Ian Paice, do Deep Purple, sobre o assuno. Ele complementou:
“Éramos simplesmente diferentes de todos os outros. Os americanos não conhecem muito bem o The Who do início dos anos 60, mas como o baterista do Deep Purple [Ian Paice] disse recentemente em uma revista, ‘O The Who começou tudo’. Fomos a primeira banda de heavy metal. Jim Marshall inventou o amplificador 4×12 de 100 watts para Pete Townshend. Toda a destruição de guitarra pela qual Jimi Hendrix ficou famoso, em seu estilo, foi basicamente copiada de Pete Townshend, antes de tudo. E a primeira ópera rock, claro, elevamos o rock a um nível talvez um pouco arrogante, digamos assim. Estávamos fazendo isso antes de qualquer um, mas isso não é importante a longo prazo.


