Em 1977, Steven Spielberg tinha apenas 31 anos e ainda colhia os frutos do enorme sucesso de “Tubarão”. Foi então que o diretor trocou o terror das profundezas do oceano pelos mistérios do cosmos e lançou “Contatos Imediatos do Terceiro Grau”, seu primeiro longa-metragem dedicado à temática extraterrestre.
Esse foi o primeiro, mas não o último, do cineasta explorando a vida alienígena. Em 1982 veio “E.T. – O Extraterrestre”, que se tornou um dos maiores marcos do cinema do século XX, e em 2005, “Guerra dos Mundos” – ainda brincando com o tema no polêmico “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal” (2008).
Agora, em 2026, Spielberg retorna ao gênero que o fez um dos mais célebres nomes da história do cinema com “Dia D” — “Disclosure Day” no inglês original —, baseado em uma história original do diretor, com o roteiro assinado por David Koepp, cuja colaboração anterior com o diretor inclui o roteiro do icônico “Jurassic Park”.
A convite da Universal Pictures Brasil, a Alpha esteve presente na pré-estreia da nova aposta de Spielberg e te conta o que esperar da produção!
Conheça a trama e o elenco de “Dia D”
O filme começa acompanhando Daniel, personagem de Josh O’Connor, que decide se rebelar contra a organização para a qual trabalha e revelar ao mundo um segredo mantido oculto há décadas: a presença de vida extraterrestre na Terra. Sua decisão o coloca na mira dos poderosos responsáveis por encobrir a verdade, liderados pelo Dr. Scanlon, interpretado por Colin Firth, que faz de tudo para impedir que as informações venham à tona.
Ao longo da trama, fica claro que a missão de Daniel está ligada a algo muito maior do que uma simples denúncia. Por trás de seus passos está Hugo, personagem de Colman Domingo, uma figura enigmática que parece conhecer respostas que transcendem a compreensão humana.
Paralelamente, somos apresentados a Margaret Fairchild, vivida por Emily Blunt em seu melhor papel dramático até o momento. Apresentadora da previsão do tempo, ela carrega desde a infância as marcas de um acontecimento traumático que a conecta diretamente aos mistérios centrais da história. Após um encontro aparentemente banal com um canário vermelho, Margaret é transportada para um estado de mente transcendental, onde passa a acessar conhecimentos impossíveis. Nesse novo estado de consciência, ela consegue enxergar detalhes profundos da vida das pessoas apenas olhando em seus olhos, além de falar diversos idiomas, como coreano e russo, e uma fatídica e enigmática linguagem de origem extraterrestre.
“Dia D” é Spielberg com S maiúsculo!
“Dia D” é carregado pelo fascínio tipicamente spielberguiano, com escolhas estilísticas familiares ao cineasta que se desenrolam em uma cadência que alterna momentos dramáticos — sempre banhados em esplendor e um quê de esperança — e instantes de humor, ainda que seja, em essência, um thriller de roer as unhas.
E a cereja do bolo para que o filme soe mais típico de Spielberg ainda é a trilha de, claro, John Williams. Tudo indica que Williams já estava aposentado, mas teria retornado ao trabalho a pedido de seu colaborador de longa data — uma parceria que, em certa medida, se confunde com a própria assinatura de Spielberg. Afinal, o compositor esteve à frente da música de grande parte dos filmes mais icônicos do diretor, como “E.T.”, “Jurassic Park”, “A Lista de Schindler”, “Prenda-me se for Capaz” e mais.
“Dia D” é um filme luminoso que levanta inúmeras questões sem se preocupar em oferecer respostas definitivas. Pelo contrário, valoriza mais as perguntas do que as possíveis resoluções. Tendo como pano de fundo um mundo em guerra, com sua humanidade colocada à prova e dividida por ideologias fraturadas, a obra se concentra em uma inquietação maior: a possibilidade de existir algo capaz de transcender tudo isso — ainda que não fuja completamente do que o cineasta já ofereceu em outras obras sobre a temática, ou não seja algo completamente inovador.
Ao longo de seus 145 minutos, Spielberg sustenta um suspense constante, movido por um coração emocional pulsante. Com uma Emily Blunt em estado de graça, ladeada por Josh O’Connor e Colman Domingo, que imprimem humanidade pelo olhar, o filme resgata uma maneira mais clássica de fazer cinema, em que personagens, atmosfera e emoção ocupam o centro da experiência. Ainda que o uso de efeitos visuais e estética modernista em alguns momentos possa soar destoante dessa proposta, o resultado final preserva algo difícil de reproduzir: aquela sensação de encantamento que apenas o cinema é capaz de proporcionar.


