Toto no Brasil: vocalista Joseph Williams explica por que banda não veio ao país mais vezes

Em entrevista exclusiva à Alpha, cantor também revelou vontade de escrever livro, respondeu comentário de Tony Iommi e mais

Após dezessete anos, o Toto voltará ao Brasil. Em setembro, a banda realizará dois shows no país: um em São Paulo, no Espaço Unimed, e outro no Rio de Janeiro, na Arena Jockey. Ingressos seguem à venda na Eventim.

Até então, o grupo, dono do hit “Africa”, havia realizado uma única apresentação em território nacional. Na ocasião, em novembro de 2007, os músicos tocaram no extinto Via Funchal, na capital paulista, com a “Falling In Between Tour”.

Fato é que o Toto demorou décadas para anunciar uma nova passagem por aqui. Durante conversa exclusiva com a Alpha Fm, o vocalista Joseph Williams – também conhecido como só Joe – explicou o motivo.

Volta ao Brasil

Segundo o próprio, ao longo dos anos, a banda até recebeu oportunidades, mas não conseguiu conciliar a agenda: “Eu sei que tivemos várias oportunidades ao longo dos anos para voltar ao Brasil, mas esta é a primeira em que realmente conseguimos nos organizar para voltar. Então, estamos entusiasmados com isso”, disse em chamada de vídeo, diretamente de Norfolk, Virgínia, nos Estados Unidos, em 26 de abril.

De acordo com o guitarrista e membro fundador Steve Lukather, rolou um convite para participar do Rock in Rio anos atrás. Mas, sendo sincero, o cantor disse não lembrar da proposta: “Luke provavelmente sabe melhor do que eu, mas deve ter ocorrido algo com a agenda. Luke devia ter algum compromisso com a banda de Ringo Starr ou algo do tipo”.

Em seguida, pontuou que a ideia não era retornar com o Journey, com quem excursionaram conjuntamente na América do Norte, pois o foco da banda parceira estava em arenas, sobretudo nos Estados Unidos.

De qualquer forma, o artista apresentou entusiasmo em voltar. Inclusive, destacou a parcela mais jovem do público que vêm aparecendo nos shows internacionais: “Os covers que o Weezer fez definitivamente ajudaram isso. Em algum momento entre 2015 e 2016 começamos a ver mais gente nas casas de show e também pessoas mais novas. Depois do lance do Weezer, isso ficou bem perceptível.”

Relação com o próprio trabalho

Quando perguntado a respeito dos 36 anos do disco “The Seventh One” (1988), Joseph admitiu identificar-se com o trabalho tão amado pelos fãs mesmo depois de tanto tempo: “Há algumas músicas no disco que ainda me identifico. Estamos tocando várias delas ao vivo. E eu acho que ela são tão fortes quanto eram quando as gravamos. “

Ao analisar o passado, porém, o cantor entende que certas coisas mudaram. Principalmente seus cuidados com a própria voz:

“Eu tento cuidar de mim mesmo, dormir, descansar bastante e fazer bons exercícios vocais, além de, talvez, levar o trabalho um pouco mais a sério do que quando era mais jovem. Bem, eu ficava acordado até tarde naquela hora.”

De qualquer forma, o artista sempre está com a cabeça no “amanhã”. Ele mesmo colocou que “ideias sempre estão surgindo” em sua mente. Tanto é que pensa em escrever um livro no futuro:

“Vou demorar um pouco para escrever tudo, mas tenho um livro muito interessante formado na minha cabeça, então vou lançá-lo algum dia. Será uma biografia e também um livro sobre a indústria musical, o que não fazer, precauções e coisas assim. Será um pouco sobre meu pai também, terá muitos pontos interessantes.”

Como será o livro?

Em relação ao conteúdo, a ideia é abordar não só a própria vida e carreira, como a indústria da música como um todo, inclusive a profissão do pai John Williams, renomado compositor.

“Acho que mais do que qualquer coisa, vou descrever como era a indústria antigamente. Na época em que eu era mais jovem, adolescente, também até mais novo do que isso. E sobre crescer em uma família onde todo mundo era músico ou cantor e como era a indústria naquela época. Voltar para o passado e falar um pouco sobre como os filmes eram feitos antigamente e como os atores precisavam assinar um contrato com um estúdio de verdade. O que mudou mais tarde, quando viraram mais autônomos, esse tipo de coisa. Há muitos aspectos interessantes de como o comércio mudou, passando dos discos de vinil para os CDs, dos CDs para o MP3. E então, streaming e todas as mudanças que ocorreram desde que isso começou. Portanto, há muitos pontos muito interessantes para falar.”

O próprio integrante do Toto demostrou fascinação e conhecimento quanto à evolução da música:

“Acho que é sempre bom conhecer a história. Isso nos ajuda a descobrir como será o futuro. Então, é legal falar um pouco da história. Como a história das gravações e a transição da gravação analógica para a digital. É uma coisa muito interessante como, às vezes, você acaba conseguindo uma qualidade melhor gravando em analógico em vez de digitalmente. De qualquer forma, [é legal] dar uma passada por boa parte da história e chegar ao estado atual das coisas. Isso nos ajuda a olhar um pouco para frente, para ver como será a indústria da música no futuro, eu acho.”

Resposta para Tony Iommi

Em 2022, Tony Iommi, lendário guitarrista do Black Sabbath, revelou estar ouvindo Toto com frequência. À época, o músico declarou que a banda tinha “músicas muito inteligentes e bem feitas”. Joseph Williams concorda com a afirmação e explicou o motivo:

“David Paich [tecladista] é o principal compositor de todos os grandes sucessos do Toto e outras coisas. Ele é um cara muito inteligente, então, sim, vou creditá-lo por isso. Ele é um compositor fantástico e suas canções resistem ao tempo. Essa é uma das razões pelas quais ainda fazemos shows e muita gente quer comprar ingressos e vir nos ver, porque as músicas ainda são fortes depois de todos esses anos.”

Quase participação em Aladdin

Para além dos trabalho com o Toto e a carreira solo, Jospeh ficou conhecido por colaborar em trilhas sonoras de filmes. Inclusive, emprestou sua voz ao personagem Simba adulto na animação de “Rei Leão” (1994). Curiosamente, quase cedeu vocais para a versão animada de Aladdin.

Ele relembrou:

“Bem, eu fui amigo de alguns produtores da Disney por muitos e muitos anos. E eu recebi uma ligação de um desses caras chamado Chris Montan e ele disse que estavam fazendo um filme chamado Aladdin e que já tinham todas as músicas e os atores. Mas o cara que era o protagonista, que estava interpretando Aladdin, tinha uma voz mais característica da Broadway e não tanto uma sonoridade pop. E eles queriam que o vocalista soasse um pouco mais pop. Então me convidaram e pediram para eu cantar todas as suas partes. E todo mundo pareceu gostar, eu acho, menos o compositor. Então acabou que eles não usaram. E acho que como forma de me compensar por eu não ter aparecido no filme, me ofereceram ‘O Rei Leão’.”

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