30 anos sem Kurt Cobain: quais eram os planos futuros do líder do Nirvana?

Vocalista e guitarrista morreu aos 27 anos, em 1994, após alcançar o auge com sua banda , um dos maiores ícones do grunge

No dia 5 de abril de 1994, Kurt Cobain nos deixou aos 27 anos. Na data em questão, o líder do Nirvana cometeu suicídio e passou dias sumido, até que descobrissem o seu corpo, já sem vida, na estufa da casa onde morava com a esposa Courtney Love em Seattle, nos Estados Unidos.

A morte precoce veio após o estrelado com a banda mencionada, que chegou ao sucesso mundial. Ícone do grunge e um dos maiores símbolos do movimento, o grupo, ao longo de sua curta duração, disponibilizou três álbuns de estúdio: “Bleach” (1989), “Nevermind” (1991) e “In Utero” (1993). Só o segundo disco, que rendeu o hit “Smells Like Teen Spirit”, tirou Michael Jackson do primeiro lugar na Billboard 200 e vendeu ao redor do mundo mais de 35 milhões de cópias.

Diante disso, fica a pergunta: o que o artista estaria fazendo caso ainda estivesse vivo?

Novos projetos com o Nirvana

Há muitas hipóteses. Na opinião de Krist Novoselic, baixista, o Nirvana teria criado outro disco cuja sonoridade remetesse à faixa “You Know You’re Right”, lançada somente em 2002 e descrita como a última canção gravada pelo trio.

“Poderíamos ter feito o que quiséssemos. Os fãs podem imaginar como [o próximo álbum do Nirvana] soaria com ‘You Know You’re Right’. Acho que precisaríamos de mais nove músicas e poderíamos ter outro disco”, explicou para a Uncut.

Durante uma entrevista concedida para uma emissora americana (via Tenho Mais Discos que Amigos), o próprio Kurt divagou sobre projetos futuros da banda. Conversando a respeito da música “Scentless Apprentice”, composta de maneira colaborativa, o frontman revelou o desejo de aplicar o método para próximos trabalhos.

“Tira a pressão de mim. O Dave pensou no ritmo da bateria e nós só construímos a música a partir da bateria… E o riff! Ele teve a ideia da batida da bateria, e aí me mostrou o riff, e era bem simples e eu pensei ‘isso pode funcionar’. E eu fiquei pensando que estava meio cru, mas nós trabalhamos naquilo e ficou ótimo! Agora eu fiquei empolgado com isso, porque agora podemos escrever juntos ainda mais.”

Possível fim da banda

Muitos fãs questionam se o Nirvana teria passado muito mais tempo junto. Isso porque o baterista Dave Grohl já demonstrava proximidade com outros campos musicais. Não é à toa que, logo depois, fundou o Foo Fighters.

Além disso, segundo Love (que, por vezes, apresenta declarações controversas) para a revista GQ, Kurt também comentava sobre a possibilidade de sair da banda

Em suma, nas palavras do próprio Krist, não dá para saber o que teria acontecido. Ainda assim, como afirmou, Cobain seria bem-sucedido independentemente de suas escolhas – fossem voltadas para a música ou para outras áreas da arte, como pintura e escultura.

“Nunca se sabe o que poderia ter acontecido, talvez seríamos péssimos. Olhe para o Foo Fighters, Dave Grohl e o Foo Fighters estão no topo do mundo. Então ele manteve a bandeira do rock and roll, meio que está na banda principal do mundo. É difícil saber. Eu gostaria que Kurt tivesse vivido e fosse monge em algum lugar. Kurt Cobain teria sido um grande monge, poderia ter sido um grande pintor, poderia ter sido um grande escultor. Ele era um artista tão talentoso que poderia ter feito o que quisesse”, afirmou para a Spin.

Talvez músicas presentes no álbum de estreia do FF, disponibilizado em 1995, tivessem, na verdade, aparecido em trabalhos do Nirvana. Isso quase aconteceu, de acordo com Grohl (via Alternative Nation).

“Havia algumas das minhas músicas que Kurt Cobain gostava muito e queria transformar em músicas do Nirvana, mas por algum motivo ele nunca fez isso. ‘Alone+Easy Target’ ele curtiu muito. Depois, ‘Exhausted’ que aparentemente ele nunca me contou, mas gostou muito também. Ele queria escrever suas próprias letras para elas. Acho que ele teve medo de me perguntar se poderíamos usar as músicas, mas com letras dele. Teria sido ótimo.”

Ir para outros gêneros musicais

Kurt poderia ter largado o grunge e seguido uma outra pegada musical – algo semelhante ao executado por Johnny Cash. Para um jornalista francês em 1993, conforme o Blabbermouth, justificou:

“Pode ser bom começar a tocar violão e ser visto como um cantor e compositor, em vez de um roqueiro grunge, sabe? Porque então poderei tirar vantagem disso quando for mais velho, sentar em uma cadeira e tocar violão como Johnny Cash.”

Durante o mesmo bate-papo, mencionou até a ideia de, talvez, passar a integrar o Hole – banda liderada por sua companheira:

“Eu quero colaborar com Love. Sendo sincero, eu preferia sair da minha banda e entrar no Hole. Quando toco com eles, há uma conexão musical maior do que com qualquer outra pessoa que eu já tenha tocado”. 

Projeto com Michael Stipe

Michael Stipe, do R.E.M., levantou o desejo de colaborar com a estrela. À revista Interview em 2011, o cantor explicou melhor a história. De acordo com relato, ele convidou Cobain para participar de um projeto a fim de tentar salvar a vida do cantor. No fim das contas, o músico comprou passagens de avião e contratou também um motorista para Kurt, que nunca apareceu.

“Ele estava em um lugar muito ruim. Entrei em contato com ele falando sobre um projeto como uma tentativa de evitar o que ia acontecer. Eu simplesmente construí um projeto para tentar tirá-lo daquele estado de espírito”. 

Álbum solo e disco de blues

Já o guitarrista Greg Sage, do Wipers, atesta que o vocalista queria, na verdade, gravar um álbum de blues, somente com covers.

“Ouvi de algumas pessoas do círculo dele que ele queria vir para o Arizona e gravar no meu estúdio, Zenorecords, e fazer um álbum de covers de blues antigos”, revelou para a NME.

Enquanto isso, Eric Erlandson, guitarrista do Hole, alega que Cobain gravava álbum solo, na mesma direção do álbum intitulado dos Beatles, conhecido como “White Album”, de 1968. À Fuse, em 2012, contou:

“Kurt Cobain estava seguindo uma direção bem legal. Seria o ‘White Album’ dele. Era o que ele estava querendo, um álbum solo, mas trabalhando com pessoas diferentes. Eu pude vê-lo tocar na minha frente.”

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