Turnê de despedida do Journey é marcada por drama e desentendimentos

O Journey está se reunindo pela última vez. No início deste mês de março, a banda iniciou a chamada “Final Frontier“, que marca a turnê de despedida do grupo. Sem data final anunciada até o momento, a agenda já conta com apresentações pré-programadas em 2027, passando por arenas e até estádios de futebol.

Contudo, a excursão quase chegou a não acontecer – ou, pelo menos, não com Arnel Pineda, vocalista atual do grupo. Em nova entrevista com a revista Rolling Stone, o cantor filipino desabafou sobre alguns problemas que envolvem o conjunto, desde falta de comunicação, ações judiciais e questões políticas e religiosas.

Segundo ele, o esqueleto do itinerário foi montado sem sua presença e validação. Além de enfrentar problemas pessoais, incluindo uma acusação da ex-esposa sobre violência doméstica, Pineda também não vive o auge de sua potência vocal.

“Em 2024, eu disse a eles: ‘Se vocês estão planejando uma turnê de despedida, é melhor me avisarem, porque meus problemas e minhas questões pessoais estão ficando mais intensos, e eu não sei se quero ir com vocês‘. Eu disse: ‘Quero que vocês discutam a agenda comigo’. E agora é o que é… Mas, na época, eu realmente não estava feliz com a forma como eles planejaram essa turnê. Meu corpo mudou. Não aguento mais o frio”, ele começou.

Ainda, o artista lida com comparações frequentes com Steve Perry, icônico vocalista do grupo e que deu voz aos maiores sucessos do conjunto. “Para ser sincero, eu concordo com eles”, disse o filipino sobre o assunto. “Você ficaria surpreso. Eu concordo. A voz de Steve Perry é realmente muito superior à minha. Mas eu já estou quase fazendo 60 anos. O que eu posso fazer? E a banda quer continuar comigo, e eles gostam da voz que eu produzo com eles… Eles podem me demitir quando quiserem, mas não vão.”

Neal Schon sobre Arnel Pineda e Jonathan Cain

Por sua vez, Neal Schon também foi entrevistado pelo veículo. “Arnel é o Arnel”, declarou. Sobre as alegações do vocalista, Schon cedeu em fazer uma pequena pausa durante os shows, para que o cantor consiga regarregar as forças. “Acho que ele conhece a própria voz melhor do que ninguém. Concordamos que podemos tocar por duas horas seguidas ou podemos fazer um intervalo, bem curto.”

Contudo, o guitarrista também não descarta a possibilidade de contratar um novo cantor caso Pineda não dê conta: “Não é algo em que eu queira pensar. Adoro o Arnel. Ele tem sido um verdadeiro mártir, como um guerreiro. Este é o 17º ano dele. Mas, mesmo assim, se ele dissesse isso, eu teria que respeitar. Acho que poderíamos continuar? Eu diria que sim.”

Contudo, Arnel é o menor dos problemas para Neal. Sua principal dor de cabeça, se podemos chamar assim, aconteceu com o segundo membro original do Journey, Jonathan Cain, com quem vive uma intensa troca de ações judiciais e desacordos.

Sinto que recebo uma [notificação judicial] por semana da equipe dele”, revelou. “É tipo, ‘Meu Deus!’ E aprendi a me defender, de verdade […] Há muito barulho constante. E eu só quero um pouco de paz, de verdade. Estou realmente cansado de todas as batalhas judiciais. Não faz sentido para mim. Não tenho tempo para isso. Não sou mais jovem. Ainda tenho muita garra e energia para fazer as coisas, mas também quero me sentir confortável. Jon declarou há algum tempo que esta seria sua despedida. E é assim que estou encarando.”

O que diz Jonathan Cain

A Rolling Stove também conversou com Jonathan Cain, que deu sua versão sobre os desentendimentos com Neal Schon. “É o que chamamos de indústria da música, e eu sou muito fiscal na maneira como gosto de fazer as coisas”, iniciou Cain.

“Aprendi com os melhores empresários e os melhores contadores do planeta. Tudo o que eu quero é administrar tudo sem problemas. Às vezes, você precisa chamar a atenção de alguém e dizer: ‘Vamos fazer isso da maneira certa, e então tudo ficará bem’. Eu só quero que nosso negócio seja um bom negócio. Só isso. Não tenho nada a ver com abuso de poder. Não quero nenhuma confusão.”

O tecladista ainda pontuou a ausência de um empresário da banda, afirmando que todas as decisões relacionadas ao Journey são tomadas entre ele e Schon. “Você pode pegar um livro sobre o mercado musical e, no primeiro capítulo, estará escrito: ‘Toda banda precisa de um empresário’… Então eu queria um. Quer dizer, eu rezei por um. Mas [Neal] só quer comandar o show, e eu quero tocar música. Não quero gerenciar a banda. Sou um cara da música.”, complementou.

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