Steve Hackett ganhou o mundo como guitarrista do Genesis. O músico fez parte da banda entre 1971 e 1977, gravando os discos “Nursery Cryme” (1971), “Foxtrot” (1972), “Selling England by the Pound” (1973), “The Lamb Lies Down on Broadway” (1974), “A Trick of the Tail” (1976) e “Wind & Wuthering” (1976).
Após deixar o grupo, o artista de 76 anos, que tornou-se um ícone do rock progressivo, focou na carreira solo, iniciada ainda em 1975, e apostou em colaborações, incluindo com Ritchie. Desde então, está na estrada e, neste domingo (22), trouxe a “The Best of Genesis 2026 Tour” para o Espaço Unimed, em São Paulo.
No espetáculo, o instrumentista é acompanhado da banda tributo argentina Genetics, conhecida por reproduzir com fidelidade a sonoridade do Genesis. Daniel Rawsi (bateria, percussão e vocais), Cláudio Lafalce (baixo e guitarras), Léo Fernández (guitarras e vocais), Horácio Pozzo (teclados) e Thomas Price (voz principal, flauta e percussão), cuja voz é comparada a de Peter Gabriel, compõem a formação.
“Eles fazem versões muito boas de Genesis. Já toquei com eles antes. Fizemos turnês pela América do Sul. Eles são músicos muito, muito bons, e nos tornamos grandes amigos. São
extraordinariamente talentosos”, explicou Hackett a respeito da escolha ao jornal La Nacion.
Steve, que usava uma encharpe roxa, subiu ao palco com cerca de 15 minutos de atraso. Contudo, o público, que até então ouvia faixas de nomes como Tool e Yes nas caixas de som, não pareceu se importar. Por consequência, a performance começou às 19h45.
O repertório, como esperado, contou com longos perídos instrumentais e durou mais de 2 horas. Basicamente, aconteceram 3 atos: o primeiro, dedicado à carreira solo de Steve, e outros dois blocos focados no Genesis.
“Spectral Mornings”, “A Tower Struck Down” e “Shadow of the Hierophant”, num dos momentos mais dramáticos do set, com as luzes apagadas, figuraram na primeira parte. Foi aí que a grande estrela da noite também fez sua primeira interação.
“Boa noite, amigos, paulistas. É bom estar de volta”, disse em português ainda no início, perguntando em seguida se poderia ficar no inglês porque “esqueci tudo”. Ainda assim, tentou, por outras vezes, arriscar na língua local, até mesmo antes de introduzir “Watcher of the Skies”, primeira canção do Genesis no set, na qual convidou os fãs a cantarem “com o coração”. “Memórias”, disse ao finalizar a faixa, que ganhou fortes luzes vermelhas.
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A partir daí, figuraram, sobretudo, músicas do disco “Selling England by the Pound” (1973), como “Dancing With the Moonlit Knight”, com um forte coro dos presentes, e “Firth of Fifth”. Depois da última mencionada, a performance passou por uma curiosa pausa de 15 minutos, antes de encaminhar-se para o final. “Intervalo de 15 minutos. Tomem uma caipirinha. Não vá pra casa. Fiquem aqui”, disse o músico em tom bem humorado.
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Por sua vez, vieram canções como “Supper’s Ready”, de mais de 20 minutos de duração, que marcou um dos instantes de maior interação no verso que questionava “a flower?”. Tamanha foi a grandiosidade, em todos os sentidos, que o público levantou para aplaudir o guitarrista. Também sobrou espaço para “The Cinema Show”, que arrancou reações empolgadas da plateia.
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Durante toda a apresentação, o músico contribuiu com backing vocals e usou sua característica guitarra Gibson Les Paul dourada, além de tocar violão. Ainda, mandou corações para o público, sorria e, constante era ovacionado. Em resposta, sempre dizia “muito obrigado”.
Aliás, o Genesis não se fez presente só com as músicas, mas também durante o discursos do instrumentista. “Eu fiz parte dessa boyband Genesis”, pronunciou arrancando risadas, “e a música continua viva”. E, pela empolgação da plateia e pelo legado da banda, a frase mostrou-se verdadeira.


