Dia do Teatro: oito peças e autores notáveis da dramaturgia brasileira

A Alpha FM continua com a série especial de conteúdos sobre o Dia Mundial do Teatro, celebrado em 27 de março. A data comemorativa chega ao 63º aniversário, depois de ser instituída pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), em 1961.

O assunto de hoje são os textos marcantes do teatro brasileiro. Não são necessariamente os maiores ou melhores, mas que ajudam a mostrar a grandeza da produção nacional nos últimos 80 anos.

Mesmo que você não conheça a fundo, provavelmente já ouviu falar a respeito de alguma dessas oito peças ou seus autores que listamos abaixo. De Navalha na Carne ao Auto da Compadecida, de Nelson Rodrigues a Augusto Boal. Confira!

João Cabral de Melo Neto – Morte e Vida Severina (1965)

Melo Neto considerava o poema dramático de 1955, que tratava sobre a seca e a migração nordestina, uma de suas obras menos relevantes. Porém, quer ele quisesse ou não, tornou-se uma das mais populares. Dez anos mais tarde, foi adaptada ao teatro em uma montagem no Teatro da Universidade Católica (Tuca). Quem fez as canções do espetáculo foi o então jovem Chico Buarque, 21.

Chico Buarque – Roda Viva (1968)

Já que falamos sobre ele. Em 2008, a revista Rolling Stone Brasil o classificou como 3º maior artista musical de nossa história. O título do texto, escrito pelo falecido jornalista Toninho Spessoto, dizia: “O poeta versátil”. Isto é, em interpretação livre, versatilidade na música e fora dela. A estreia de Chico Buarque no teatro ocorreu em 1968 com a peça Roda Viva, sobre um ídolo fabricado pela mídia. Nela, constava a famosa canção homônima de protesto contra a ditadura. O espetáculo dobra de tamanho sob a direção e com as inovações de José Celso Martinez Correa, falecido em 2023, um dos fundadores do Teatro Oficina.

Nelson Rodrigues – Vestido de Noiva (1943)

Igualmente versátil era Nelson Rodrigues. O “escritor maldito” ou o “anjo pornográfico”, na definição do também escritor Ruy Castro, passeava por vários genêros literários. Rodrigues fundou o teatro moderno no Brasil com a peça Vestido de Noiva, distante de quaisquer correntes teatrais. O comando da primeira encenação coube ao diretor polonês naturalizado brasileiro Zbigniew Ziembinski com o grupo Os Comediantes. Ao contrário de tantas outras peças de Rodrigues, que desafiavam os costumes da sociedade, esta teve grande sucesso.

Ariano Suassuna – Auto da Compadecida (1955)

O autor começou a trajetória no teatro, em 1946, como um dos fundadores do Teatro do Estudante de Pernambuco na Faculdade de Direito do Recife. Quase uma década mais tarde, mescla cultura popular do Nordeste, como a literatura de cordel, e tradição religiosa para criar o Auto da Compadecida. O espetáculo, em três atos, recebeu várias outras encenações. Além disso, virou filme, cuja parte 2 estreia em dezembro deste ano.

Gianfrancesco Guarnieri –  Eles não usam black-tie (1958)

Apesar de escrita por um homem de origem italiana, a peça inicia o período nacionalista do Teatro de Arena. Aliás, o espetáculo mudou de nome para alfinetar o público do Teatro Brasileiro de Comédia. A princípio se chamaria O Cruzeiro Lá no Alto. Guarnieri influenciou uma geração de outros dramaturgos. O espetáculo tem como pano de fundo uma greve operária com a mobilização de moradores de uma favela.

Dias Gomes – O pagador de promessas (1960)

Assim como Auto da Compadecida, esta é outra peça teatral que foi parar nas telonas. Mas o mais interessante sobre o espetáculo é o sucesso internacional. O pagador de promessas foi encenada em 10 idiomas e em 15 países. O texto chegou ao tablado pela primeira vez sob direção de Flávio Rangel no Teatro Brasileiro de Comédia. A história envereda pelo místico, diante da promessa do lavrador Zé do Burro a Santa Barbará para curar o animal companheiro.

Plínio Marcos – Navalha na carne (1967)

O regime militar que vigorou entre 1964 e 1985 no Brasil proibiu quase todas as peças de Plínio Marcos. Ele era o “teatrólogo maldito”. Bem antes de ser dramaturgo, no entanto, foi funilero, camelô, palhaço de circo, entre outras profissões. Conhecia a fundo os problemas das camadas populares e dos grupos mais vulneráveis. Censurada pela ditadura, Navalha na Carne mostra o submundo da prostituição.

Augusto Boal – Murro em ponta de faca (1974)

Augusto Boal foi a principal liderança do Teatro de Arena. Mais do que isso, notabilizou-se por criar o mundialmente conhecido “teatro do oprimido”, método e modelo cênico de resistência e conscientização social. Boal escreveu Murro em ponta de faca, em 1974, quando estava exilado em Portugal. A liberação da peça ocorreria em 1978. Com músicas de Chico Buarque, o espetáculo conta a trajetória de seis brasileiros exilados por questões políticas.

Veja também – Dia do Teatro: FANTASMAGORIA IV, peça final do Ultralíricos, provoca sobre utilidade da arte

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