Nesta quinta-feira (26), estreou em cinemas de todo o Brasil “Nuremberg”, novo filme escrito e dirigido por James Vanderbilt. O longa conta com elenco protagonizado pelos vencedores do Oscar Russell Crowe (Gladiador) e Rami Malek (Bohemian Rhapsody), ao lado de Leo Woodall (The White Lotus), Colin Hanks (Fargo) e Michael Shannon (Foi Apenas um Sonho).
O filme é baseado em uma história real e retrata um dos momentos mais importantes do século XX: os julgamentos de líderes nazistas após a Segunda Guerra Mundial. Entre 1945 e 1946, as principais lideranças do regime nazista foram levadas a julgamento na cidade de Nuremberg, na Alemanha. Esse tribunal internacional foi o primeiro da história a responsabilizar indivíduos por crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio.
Entre os acusados mais importantes estava Hermann Göring, braço direito de Adolf Hitler, interpretado no filme por Russell Crowe.
Mais do que um drama histórico, “Nuremberg” propõe um olhar menos convencional sobre um dos episódios mais marcantes do século XX. Em vez de focar apenas no tribunal, o filme mergulha em um embate psicológico que aconteceu nos bastidores dos julgamentos nazistas.
A produção é baseada no livro “O nazista e o psiquiatra”, obra de não ficção do jornalista Jack El-Hai, que investiga a relação entre o psiquiatra americano Douglas Kelley e Göring. Logo após a Segunda Guerra, Kelley, interpretado por Rami Malek, foi encarregado de avaliar a sanidade de 22 oficiais nazistas presos, para determinar se estavam aptos a julgamento e que não cometeriam suicídio.
Entre todos os réus, Göring chamou atenção de forma particular. Em seus registros, Kelley descreveu o nazista como extremamente inteligente, mas também manipulador e profundamente narcisista. Em um de seus relatos, ele afirmou:
“Ele foi, sem dúvida, o ser humano mais implacável que já conheci”, escreveu Kelley sobre Göring (via Scientific American).
Ao longo de cerca de cinco meses, ele conduziu dezenas de entrevistas individuais com líderes nazistas, acumulando centenas de horas de conversas diretas. No filme, o personagem Kelley sintetiza esse propósito ao afirmar que compreender a natureza psicológica do mal é um passo essencial para evitar que tragédias semelhantes se repitam no futuro.
“Se você acredita que esses homens, incluindo Göring, tinham distúrbios psiquiátricos, eram monstros, exemplos de seres humanos realmente desviantes, então você os absolve da responsabilidade por seus atos”, diz El-Hai, autor da obra literária.


